Mercado de tilápia reage e prevê alta nos preços após pressões do 1º semestre
Queda sazonal do consumo no inverno e avanço do pescado do Vietnã pressionaram o setor; desaceleração das importações e restrições estaduais trazem otimismo

Após um início de ano aquecido pela alta demanda da Quaresma e da Semana Santa, o mercado brasileiro de tilápia enfrentou um período de desaceleração no segundo trimestre de 2026. A combinação do esfriamento sazonal do consumo no inverno com a forte entrada de pescado importado do Vietnã pressionou os valores pagos aos aquicultores e impactou a rentabilidade da cadeia produtiva nacional.
No entanto, o cenário começa a se inverter. Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), o arrefecimento das importações nos últimos meses somado ao aumento do consumo na segunda metade do ano devem impulsionar uma recuperação gradual nos preços pagos ao produtor.
Impacto das importações e retração do consumo
O comportamento do mercado nos primeiros seis meses seguiu o ciclo tradicional da piscicultura, mas com o peso adicional da concorrência externa. De acordo com o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, a chegada do inverno naturalmente reduz a demanda por peixes no país, período que coincide com o pico das compras externas do início do ano.
O impacto foi sentido com maior intensidade em São Paulo, o maior polo consumidor do país. Nos primeiros cinco meses do ano, o volume de tilápia vindo do exterior representou cerca de 30% de toda a produção paulista estimada para o período.
"As importações afetam diretamente a formação dos preços e pressionam a saúde financeira das empresas da cadeia produtiva. É uma concorrência que ocorre justamente em um momento de menor consumo, tornando o cenário ainda mais desafiador para os produtores brasileiros", analisou Francisco Medeiros.
Queda nas compras externas e reação dos estados
Apesar da pressão inicial, os dados mais recentes da Embrapa Pesca e Aquicultura indicam uma mudança de ritmo. Após atingirem o pico de 1.956 toneladas em março, os embarques de tilápia vietnamita para o Brasil registraram quedas sucessivas: caíram para 1.342 toneladas em junho e chegaram a 957 toneladas em julho, uma redução de cerca de 29% na comparação mensal.
No acumulado de 2026, São Paulo e Santa Catarina concentraram 83% de todo o volume importado, somando 4.068 toneladas e 3.433 toneladas, respectivamente. Em julho, contudo, o estado catarinense assumiu a liderança mensal das compras externas com 419 toneladas, enquanto o mercado paulista registrou 364 toneladas.
Perspectivas otimistas para o segundo semestre
A menor oferta do produto estrangeiro, combinada com a reação natural do consumo nos meses mais quentes do ano, renova as expectativas do setor. Além disso, ações regulatórias promovidas por importantes estados produtores como Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, que impuseram restrições e novas exigências à comercialização da tilápia do Vietnã, têm ajudado a proteger o mercado interno.
"A tendência é de manutenção e até de recuperação dos preços ao produtor no segundo semestre. As iniciativas adotadas pelos estados ajudam a reduzir a pressão das importações sobre o mercado interno e podem contribuir para restabelecer um ambiente mais equilibrado para a produção nacional", concluiu o presidente da PEIXE BR.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



