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Tilápia do Vietnã invade mercado e já soma 10% da produção nacional, alerta Peixe MG

Volume de filé importado já supera a produção de polos consolidados, como o Lago de Furnas e preocupa produtores

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Tilápia do Vietnã invade mercado e já soma 10% da produção nacional, alerta Peixe MG
Importação de tilápia do Vietnã, que já somam mais de 3.500 toneladas em apenas três meses no Brasil • Canva/ Reprodução

O setor de piscicultura em Minas Gerais e no Brasil acendeu o sinal de alerta máximo. Em análise à Itatiaia, o presidente da associação Peixe MG, Pedro Rivelli, classificou como "assustadores" os números da importação de tilápia do Vietnã, que já somam mais de 3.500 toneladas em apenas três meses — volume que equivale a mais de 10% da produção nacional.

"Este é o segundo mês consecutivo que as importações foram maiores do que as exportações, mesmo com incremento para os Estados Unidos", informou a Peixe BR. A dimensão do impacto é ilustrada por uma comparação direta: o volume de filé importado já supera a produção de polos consolidados, como o Lago de Furnas.

Preços baixos e questionamentos sanitários

A principal preocupação dos produtores mineiros recai sobre a disparidade de preços e a qualidade do produto que chega ao mercado interno. Segundo Rivelli, as análises feitas pelo setor indicam que o peixe importado não atenderia aos rigorosos padrões sanitários brasileiros. O caso é agravado com o Tilapia Lake Virus (TiLV), um patógeno com taxa de mortalidade de até 90%. Contudo, a resposta dos órgãos reguladores tem sido motivo de frustração para a categoria.

"As análises nos padrões brasileiros não seriam aprovadas, mas o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) tem alegado que os riscos são negligenciáveis", pontuou o presidente da Peixe MG.

Rivelli afirma que a associação tem buscado interlocução com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e outras instâncias, mas que, até o momento, nenhuma medida efetiva foi tomada para conter o avanço do produto estrangeiro.

Em nota à Itatiaia, a Seapa afirmou que “reconhece que a tilapicultura representa uma das principais atividades aquícolas de Minas Gerais, com expressiva participação na produção nacional, destacando-se com sistemas intensivos e semi-intensivos em viveiros escavados e, principalmente, em tanques-rede.

O Vietnã, por sua vez, é reconhecido como importante produtor aquícola mundial, porém apresenta registros científicos de enfermidades relevantes em tilápias. Embora a autorização de importação de produtos de origem animal seja competência federal, Minas Gerais, por meio do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), está adotando postura preventiva e proativa, visando à proteção do patrimônio aquícola estadual e à manutenção do status sanitário.

As ações que temos adotado são:

- Intensificação da Vigilância Sanitária Aquícola, ampliação da capacidade dos laboratórios oficiais ou credenciados do Estado;
- Solicitação para que aos empreendedores rastreiem os produtos importados;
- Elaboração de um Plano Estadual de Contingência para Doenças Emergentes em Tilápias;
- Articulação com outras esferas de governo, como a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF), com vistas à promoção da neutralidade tributária e da isonomia competitiva, mitigando os impactos econômicos à cadeia produtiva estadual”.

 

Risco ao consumidor e desestruturação do setor

Um ponto crítico levantado pela análise é a falta de transparência nas gôndolas. Segundo o dirigente, empresas brasileiras estariam importando o peixe vietnamita e distribuindo sob marcas consolidadas no Brasil sem a devida identificação da origem.

Isso é um crime contra o consumidor. O impacto vai ser muito negativo na piscicultura, pois os preços tendem a cair e os produtores já vêm de anos muito difíceis em 2024 e 2025.

Pedro Rivelli, presidente da Peixe MG

O cenário é agravado por problemas sanitários que já vinham afetando a produção nacional e a baixa disponibilidade de alevinos (peixes jovens recém-eclodidos) no último ano. Em março, a entrada do produto vietnamita somou 1.956 toneladas no Brasil, sendo 25 toneladas destinadas especificamente ao mercado mineiro.

Para a Peixe MG, a concorrência considerada desleal pode ser o golpe final em um setor que luta para manter seu potencial produtivo. "O cenário não é legal. A parte sanitária e a importação massiva têm influenciado fortemente essa dificuldade na produção", concluiu Rivelli.

A Peixe BR detalhou a quantidade do embarque vietnamita por estado em março:

  • São Paulo: 899 toneladas
  • Santa Catarina: 790 toneladas
  • Rio de Janeiro: 148 toneladas
  • Pernambuco: 73 toneladas
  • Minas Gerais: 25 toneladas
  • Maranhão: 21 toneladas

Reação dos estados vizinhos

Diferente de Minas, outros grandes produtores já ergueram barreiras:

Apesar da proibição do trânsito e comercialização da tilápia do Vietnã em Santa Catarina, não há fiscalização e punição. O não torna efetivo. Segundo Rivelli, a Peixe MG sugeriu a mesma medida mas em conversa e análise, o IMA afirmou que "não teria efetividade, assim como não está tendo em SC, porque é uma defesa frágil". Ainda segundo o presidente, a politica de tributação do estado do Paraná é a única medida neste momento que esta surtindo efeito.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde