Nanoformulação altera tempo de degradação de fungicida segundo pesquisa agrícola
Pesquisa mostra que material à base de lignina diminui a permanência do ingrediente ativo no ambiente após a aplicação

Uma pesquisa avaliou o comportamento de uma nanoformulação desenvolvida para o transporte de fungicida agrícola. Os testes indicaram que, sob a ação da luz solar, o material acelerou a degradação do ingrediente ativo. Esse resultado difere da hipótese inicial de proteção do composto contra a fotodegradação. Do ponto de vista ambiental, o resultado aponta para a redução do tempo de permanência do produto na lavoura após a aplicação.
O estudo investigou a nanoformulação produzida com lignina kraft modificada (subproduto oriundo da indústria de papel e celulose) associada ao fungicida protioconazol, utilizado no manejo de culturas agrícolas. Os dados obtidos integram o compêndio técnico Sustainable Agrochemistry – A Compendium of Technologies (Springer Nature, 2026).
Os experimentos foram realizados em ambiente laboratorial seguindo os protocolos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), que simulam as reações posteriores à aplicação de defensivos. Foi acompanhado o comportamento do composto em diferentes níveis de acidez da água para mapear os cenários possíveis no solo e ecossistemas.
Os resultados demonstraram que o protioconazol apresentou decomposição em poucas horas quando incorporado à formulação em ambientes ácidos. Em condições alcalinas, o período de permanência também se mostrou menor do que as médias de referência. De acordo com as análises técnicas, as modificações estruturais na lignina favoreceram as reações físico-químicas desencadeadas pela radiação solar.
A velocidade de degradação do ingrediente ativo diminui o tempo de exposição residual no ambiente. Esse fator reduz a probabilidade de translocação do produto para solos, cursos d'água ou organismos não atingidos pelo tratamento original.
Desenvolvimento de dados sobre nanotecnologia
O monitoramento de nanoformulações visa compreender os mecanismos que alteram a dinâmica de defensivos agrícolas e fertilizantes, mapeando as perdas durante a aplicação.
A lignina, por ser um dos componentes estruturais da madeira gerado como resíduo industrial em escala global, é objeto de análise para sistemas de liberação controlada de agroquímicos, embalagens e biomateriais devido às suas características de biodegradabilidade.
Os dados técnicos sobre a interação entre matrizes renováveis e ingredientes ativos servem como subsídio para o mapeamento de futuras formulações, auxiliando no equilíbrio entre o período de atuação agronômica e a posterior desintegração do insumo.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



