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Brasil atinge 100% da cota de carne bovina para a China; sobretaxa de 55% vale em outubro

Limite anual de 1,1 milhão de toneladas foi atingido; cobrança adicional sobre novos volumes entra em vigor a partir de 2 de outubro

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Cota de carne bovina para a China deve ser esgotada até maio, alerta Abiec
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A Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) confirmou nesta terça-feira (29) que as importações de carne bovina brasileira enquadradas no regime de salvaguardas atingiram 100% da cota estabelecida para 2026, estipulada em 1,106 milhão de toneladas. Com o esgotamento do teto anual, qualquer volume excedente que ingressar no país asiático será taxado com uma alíquota adicional de 55%.

De acordo com as normas do Ministério do Comércio chinês, a sobretaxa passa a vigorar a partir do terceiro dia útil após o preenchimento total do limite, neste caso, a cobrança extra começará em 2 de outubro. A tarifa incide exclusivamente sobre o montante que ultrapassar o volume fixado, sem afetar retroativamente as cargas dentro da cota.

Cautela e desaceleração nos embarques

A iminência do esgotamento da cota já vinha ditando o ritmo dos negócios no setor pecuário nacional. Diante do aviso emitido em 10 de agosto, quando a China informou o alcance de 90% do volume previsto, exportadores e frigoríficos brasileiros desaceleraram a produção e os embarques a partir de julho. Como o transporte marítimo até os portos asiáticos pode levar até 60 dias, as empresas optaram por interromper novas remessas para evitar que as cargas chegassem ao destino após o preenchimento do teto e sofressem a tributação extra.

O anúncio oficial da margem de 100% era aguardado com apreensão pelo mercado brasileiro. A demora na confirmação ocorreu porque as autoridades chinesas contabilizam os volumes com base no momento do desembaraço alfandegário nos portos locais, e não pela data de saída dos navios do Brasil.

Para a consultoria Safras & Mercado, a divergência entre os dados gerais de exportação e os critérios de contabilização das salvaguardas prolongou um período de incerteza operacional em setembro. Com a oficialização pela GACC, o mercado ganha clareza sobre as "regras do jogo", embora o custo tributário mais elevado reduza severamente a margem de lucro para novos contratos de exportação até o fim do ano.

A medida de salvaguarda imposta pela China entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, com validade prevista de três anos. O mecanismo fixa limites quantitativos para diferentes países fornecedores, aplicando a taxa de 55% a todas as cargas que excederem os volumes acordados.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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