Brasil atinge 90% da cota de carne bovina para a China e corre risco de sobretaxa
Com 995,4 mil toneladas já desembarcadas em 2026, carne bovina in natura do Brasil será taxada com alíquota extra de 55% caso ultrapasse o teto anual

O Ministério do Comércio da China (Mofcom) confirmou nesta segunda-feira (10) que o Brasil já preencheu 90% da cota anual de carne bovina para 2026. Do limite de 1,106 milhão de toneladas com imposto de 12%, restam apenas 110,6 mil toneladas para o esgotamento do teto.
Caso o volume total seja atingido, a carne bovina in natura do Brasil passará a ser taxada com uma tarifa adicional de 55% a partir do terceiro dia subsequente ao estouro do teto.
De acordo com o comunicado oficial do governo chinês, o volume acumulado de carne bovina in natura vinda do Brasil atingiu 995,4 mil toneladas desde janeiro. "A carne bovina importada do Brasil sob as medidas de salvaguarda atingiu 90% da quantidade estipulada pelo Ministério do Comércio no Anúncio nº 87 de 2025, em 10 de agosto de 2026. De acordo com o anúncio, a partir do terceiro dia após a quantidade importada atingir 100% da cota, será imposta uma tarifa adicional de 55% sobre a alíquota já aplicável", destacou o órgão chinês.
Mês de julho já registrou desaceleração forte
A iminência do esgotamento da cota já vinha movimentando os frigoríficos brasileiros. Em julho, as indústrias nacionais reduziram drasticamente os embarques para a China a fim de gerenciar o risco de sobretaxação, resultando no pior desempenho mensal para o destino em 2026.
No mês passado, o Brasil enviou 85,7 mil toneladas aos portos chineses, volume 47% menor que as 161,8 mil toneladas registradas em junho. O faturamento no destino caiu 50,3% na mesma comparação, passando de US$ 1,08 bilhão para US$ 537,8 milhões.
Do total exportado aos chineses em julho, 82,7 mil toneladas correspondem especificamente à carne bovina in natura (com receita de US$ 529,2 milhões), categoria contabilizada no limite tarifário estipulado por Pequim.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



