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Coreia do Sul envia missão sanitária ao Brasil em agosto para avaliar carne bovina

Após 17 anos em negociações, Brasil se prepara para auditoria entre 11 e 20 de agosto; aval sanitário é visto como chave para acessar mercado de 600 mil toneladas ao ano

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Carne bovina bate recorde histórico: preço da carcaça casada é o maior desde 2001
Abertura das exportações de carne para a Coreia do Sul representaria um grande avanço diante a proximidade do limite cota da China • Canva/ Banco de imagem

Uma missão sanitária da Coreia do Sul virá ao Brasil no próximo mês para inspecionar o sistema de produção de proteína animal do país. A auditoria, que será realizada entre os dias 11 e 20 de agosto, é considerada o passo decisivo para autorizar a entrada de frigoríficos brasileiros no cobiçado mercado sul-coreano e, ao mesmo tempo, destravar as negociações comerciais entre o Mercosul e a nação asiática.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, durante visita de Estado do líder sul-coreano a Brasília. A abertura do setor de carnes é tratada como a principal barreira histórica entre os dois lados, travando diálogos que já duravam 17 anos.

"Temos agora o compromisso concreto da missão da certificação sanitária ao Brasil no próximo mês, um passo decisivo para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado coreano", destacou Lula.

Acesso a um mercado de 600 mil toneladas

A inspeção presencial será conduzida por uma das agências estatais sul-coreanas responsáveis pelo controle sanitário. Após a conclusão das visitas em solo brasileiro, a etapa seguinte do processo de habilitação passará a ser puramente documental.

A liberação das exportações representa uma oportunidade bilionária para os frigoríficos brasileiros. A Coreia do Sul importa anualmente cerca de 600 mil toneladas de carne bovina, volume atualmente dominado por fornecedores dos Estados Unidos e da Austrália.

As exigências sanitárias sul-coreanas sempre foram o ponto mais sensível nas tratativas com o bloco sul-americano. Por exigir rígidos padrões de controle, o tema travava os avanços na pauta exportadora do Brasil, Argentina e Uruguai, nações em que a carne bovina possui papel central na balança comercial.

A abertura das exportações de carne para a Coreia do Sul representaria um grande avanço diante a proximidade do limite cota da China.

Grupo de trabalho para destravar acordo

Além da agenda sanitária, os dois governos decidiram criar um grupo de trabalho focado em mapear os pontos sensíveis que paralisaram as negociações do acordo comercial Mercosul-Coreia do Sul, estagnadas desde 2019. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, foi designado para coordenar o grupo pelo lado brasileiro. O governo sul-coreano deve nomear seu representante nos próximos dias.

Com a auditoria técnica confirmada para agosto, o governo brasileiro projeta que a superação da barreira sanitária criará o ambiente político e comercial necessário para fazer fluir o acordo entre os blocos.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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