Carne bovina brasileira lidera mercado mundial com faturamento histórico, aponta Abiec
Setor movimentou R$ 1,159 trilhão em 2025, o equivalente a 9% do PIB nacional, impulsionado por recordes de produção e exportações

O setor pecuário brasileiro atingiu um patamar histórico. Nesta quinta-feira (16), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) lançou oficialmente, em Brasília, a 11ª edição do seu relatório anual, o Beef Report 2026. O evento, liderado pelo presidente da entidade, Roberto Perosa, revelou indicadores que consolidam o Brasil como o maior produtor e exportador mundial de carne bovina.
Os dados consolidados de 2025 apontam uma grande movimentação financeira de R$ 1,159 trilhão na cadeia produtiva — o equivalente a cerca de 9% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Números de um ano histórico (2025)
Em parceria com a Athenagro Consultoria, o relatório aponta recordes em todas as frentes:
- Produção recorde: o país atingiu a marca de 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC).
- Volume de abates: foram abatidos 47,79 milhões de bovinos, sob um forte processo de fiscalização — onde 63,6% passaram pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).
- Faturamento externo: as exportações renderam um recorde de US$ 18 bilhões, alcançando 177 países.
Com esses resultados, o Brasil assumiu, de forma inédita, o posto de maior produtor mundial de carne bovina, mantendo-se soberano no topo das exportações globais.
Produtividade e eficiência vertical
A revolução tecnológica no campo fica evidente ao analisar a evolução histórica do setor. Entre 1990 e 2025, a produção nacional de carne bovina disparou 146,6%. O ritmo de crescimento foi 3,6 vezes superior ao avanço do rebanho, que cresceu 40% no mesmo período, somando 195,5 milhões de cabeças (o maior rebanho comercial do planeta).
No mercado externo, o volume exportado registrou alta de 20,6%, enquanto o faturamento em dólar subiu expressivos 40% frente a 2024. A China segue firme no papel de principal parceira comercial da proteína brasileira, seguida de perto por Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia.
Sustentabilidade: produzir mais com menos espaço
Um dos pontos mais celebrados no novo relatório é a relação direta entre o aumento de produtividade e a preservação ambiental. Nos últimos 30 anos, a produtividade cresceu 183%, ao mesmo passo em que a área de pastagens no país encolheu 18%, caindo para aproximadamente 160 milhões de hectares.
"Os números comprovam que é possível produzir mais, com mais eficiência, sustentabilidade e competitividade", afirmou Roberto Perosa, presidente da ABIEC.
Neste período, cerca de 27,9 milhões de hectares de pastos degradados foram convertidos para a agricultura ou outras atividades. Atualmente, 64% do território brasileiro segue coberto por vegetação nativa, enquanto as pastagens ocupam apenas 19% do território.
A intensificação da produção também ganhou força: sistemas de confinamento e Terminação Intensiva a Pasto (TIP) responderam por 23% dos abates em 2025. No campo da descarbonização, estudos integrados ao relatório estimam que a modernização contínua e as tecnologias do Plano ABC+ podem reduzir a intensidade das emissões de carbono em até 92,6% até 2050.
Projeções esticadas: o futuro até 2035
O Beef Report projeta cenários otimistas para a próxima década. Apesar de uma esperada acomodação técnica na produção no ciclo de 2026, o Brasil está posicionado como o principal player para sanar a demanda global por proteínas.
As estimativas para 2035 indicam:
- Produção: deve alcançar 15,18 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC), um salto de 23% comparado a 2025.
- Exportações: devem saltar de 4,53 milhões para 7,09 milhões de toneladas, crescimento vigoroso de 56,5%.
Os dados completos do relatório podem ser acessados no site da Abiec.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



