Carne bovina: Brasil tem o melhor 1º semestre da história e exportações somam US$ 9,85 bi
Embarques cresceram 15,5% em volume nos primeiros seis meses de 2026; faturamento disparou 36,2% impulsionado por recorde histórico em junho

O agronegócio brasileiro consolidou o melhor primeiro semestre de toda a história das exportações de carne bovina, quebrando recordes históricos tanto em volume de embarques quanto em faturamento absoluto. Entre janeiro e junho de 2026, o Brasil exportou 1,705 milhão de toneladas do produto, o que representa um avanço sólido de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido embarcadas 1,476 milhão de toneladas.
O salto na receita cambial foi ainda mais expressivo e surpreendeu analistas do setor: o país arrecadou US$ 9,85 bilhões nos primeiros seis meses do ano, uma expressiva alta de 36,2% frente aos US$ 7,24 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado. Os dados oficiais são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e foram compilados e analisados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Com esse desempenho sem precedentes, a média mensal de embarques no período fixou-se em aproximadamente 284 mil toneladas, patamar que consolida a liderança global do Brasil no fornecimento da proteína. Segundo especialistas do setor, o resultado é reflexo direto da alta competitividade do produto brasileiro no exterior, da manutenção de um status sanitário de excelência e de um cenário de câmbio favorável às exportações.
Junho histórico coroa o semestre
O fechamento da primeira metade do ano foi coroado por um mês de junho que entrou para os livros de registro do comércio exterior. No mês passado, os embarques de carne bovina atingiram 317,3 mil toneladas, volume 16,6% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram comercializadas 272,2 mil toneladas.
Em termos financeiros, a receita obtida em junho somou US$ 1,975 bilhão, um resultado impressionante e 38,1% superior ao registrado em junho de 2025. O desempenho superou os recordes anteriores que haviam sido estabelecidos em maio deste ano, tornando junho de 2026 o melhor mês isolado de toda a série histórica do setor de proteína bovina.
Força do produto in natura e a diversificação industrial
A análise detalhada dos tipos de produtos exportados mostra que a carne in natura continua sendo o grande motor e o carro-chefe das vendas externas brasileiras, atendendo à demanda de grandes indústrias e redes de varejo globais. Em junho, essa categoria respondeu por 279,7 mil toneladas — o equivalente a 88,1% de todo o volume exportado — e gerou sozinha US$ 1,83 bilhão, representando 92,6% da receita total do mês.
Contudo, a indústria de frigoríficos nacional também demonstrou forte capacidade de diversificação e aproveitamento integral do animal, dividindo o restante da pauta de exportação de junho entre subprodutos de alto valor agregado:
- Miúdos: registrou 20,1 mil toneladas embarcadas, gerando um faturamento de US$ 46,3 milhões (2,3% da receita).
- Carnes industrializadas: somaram 8,5 mil toneladas, movimentando US$ 74 milhões (3,8% da receita).
- Gorduras: alcançaram 6,2 mil toneladas, com receita de US$ 16 milhões.
- Tripas: totalizaram 2,7 mil toneladas, somando US$ 9,3 milhões.
- Carnes salgadas: responderam por 131 toneladas, totalizando US$ 754 mil.
O desempenho robusto do setor ao longo dos primeiros seis meses de 2026 reforça o papel do Brasil como o principal player global de proteína vermelha, garantindo o abastecimento de mercados maduros e em expansão e injetando bilhões de dólares na economia nacional, com reflexos positivos no Produto Interno Bruto (PIB) e na geração de empregos no interior do país.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



