China e México impulsionam exportações recordes da carne bovina brasileira
Pequim dispara 49% em faturamento e lidera ranking isolada, enquanto mercado mexicano registra alta impressionante de 153% nos embarques no mês de junho

Por trás do recorde histórico de US$ 9,85 bilhões faturados pelo Brasil com a exportação de carne bovina no primeiro semestre de 2026, há um redesenho estratégico e uma profunda consolidação no mapa de consumo global da proteína brasileira. Sob a liderança isolada da China e com uma tração renovada de mercados tradicionais e emergentes, as indústrias frigoríficas nacionais expandiram suas fronteiras comerciais de forma agressiva nos primeiros seis meses do ano.
Os dados compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) revelam que a diversificação geográfica tem sido a chave para o sucesso do país. Ao mesmo tempo em que fortalece laços com parceiros históricos, o Brasil vem conseguindo ampliar sua presença em mercados de alta exigência regulatória e sanitária.
Hegemonia asiática e o apetite chinês
A China manteve-se no topo do ranking de compradores, mantendo uma distância considerável dos demais países. No acumulado do primeiro semestre, o país asiático importou 794,7 mil toneladas de carne bovina brasileira, o que resultou em um desembolso de US$ 4,87 bilhões.
Esse montante representa um crescimento expressivo de 24% em volume e uma disparada de 49,4% em valor na comparação anual, sinalizando não apenas um aumento na quantidade comprada, mas também uma valorização do preço médio pago pelo produto brasileiro em Xangai e Pequim.
Avanço na América do Norte e na Europa
Os Estados Unidos consolidaram a segunda posição no ranking semestral, com 205 mil toneladas adquiridas (alta de 13%) e um faturamento acumulado de US$ 1,35 bilhão (crescimento de 29,8%). O avanço no mercado norte-americano é visto por analistas como um selo de qualidade, dado o elevado nível de exigência das autoridades de segurança alimentar dos EUA.
No bloco europeu, a União Europeia se posicionou como o terceiro principal destino em termos de receita para os frigoríficos brasileiros no semestre. Os países do bloco importaram 51,2 mil toneladas e movimentaram US$ 452,3 milhões — o que representou um crescimento de 18,2% em volume e uma impressionante alta de 53,5% em valor, reflexo da venda de cortes nobres e com certificações específicas de rastreabilidade.
Outros destaques de crescimento no semestre:
- Chile: consolidou-se na América do Sul ao adquirir 70,7 mil toneladas (+20%), gerando uma receita de US$ 420,2 milhões (+33,2%).
- Rússia: apresentou uma retomada forte, importando 62,2 mil toneladas (+53,8%) com receita de US$ 284,1 milhões (+58,9%).
O 'boom' mexicano e os novos destinos em junho
Quando analisado o mês de junho isoladamente — período que registrou o maior faturamento mensal da história do setor (US$ 1,975 bilhão) —, o grande destaque de crescimento percentual foi o México. O mercado mexicano registrou uma alta impressionante de 153,9% em volume no mês, totalizando 11,8 mil toneladas e gerando uma receita de US$ 74 milhões (alta de 136,6%). A expansão no México é fruto de negociações bilaterais recentes que abriram espaço para o produto brasileiro competir na América do Norte.
Ainda em junho, a China seguiu na liderança mensal com 161,9 mil toneladas (+19%) e US$ 1,08 bilhão em receita (+39,5%). Os Estados Unidos ficaram na segunda posição do mês com 26,4 mil toneladas. Embora tenham registrado um recuo de 8,3% no volume mensal comprado, a receita subiu 16,4% (atingindo US$ 192,9 milhões), confirmando que o mercado americano absorveu produtos de maior valor agregado em junho.
Completando o cenário global de junho, a Indonésia despontou no "Top 5" em volume com 10,6 mil toneladas, seguida de perto por Hong Kong (10 mil t), Arábia Saudita (9 mil t), União Europeia (8,2 mil t), Rússia (8,1 mil t) e Filipinas (6,5 mil t). Em termos de faturamento mensal, a União Europeia figurou como o quarto principal mercado do mês, gerando US$ 75,2 milhões.
Essa capilaridade de destinos demonstra que a carne bovina brasileira alcançou estabilidade global, reduzindo a dependência de um único bloco econômico e garantindo escoamento recorde para a produção nacional.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



