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MG inicia colheita inédita de tomatillo mexicano e abre pré-venda exclusiva do fruto

Diferente do tomate verde comum, fruto traz a acidez perfeita para a verdadeira Salsa Verde e já está disponível em pré-venda.

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MG inicia colheita inédita de tomatillo mexicano e abre pré-venda exclusiva do fruto
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Um dos componentes mais vitais e emblemáticos da verdadeira culinária mexicana foi plantado em solo mineiro. A Testal – Cozinha Mexicana de Origem anunciou o lançamento da primeira safra nacional de tomatillo mexicano (Physalis ixocarpa) cultivada em escala comercial no país. Desenvolvido em Viçosa, no interior de Minas Gerais, o projeto pioneiro promete transformar o mercado de gastronomia internacional no Brasil. A colheita limitada está agendada para o final deste mês de julho de 2026.

Até então, chefs de cozinha e restaurantes dependiam de imitações com tomates verdes comuns ou do uso de conservas importadas. Embora visualmente parecidos, o tomate tradicional e o tomatillo guardam distinções profundas em acidez, textura e sabor. A chegada do fruto fresco promete mudar esse cenário.

O projeto ganhou vida após o encontro de duas mentes: o especialista mexicano em inovação agrícola sustentável, José Enrique Espitia — que desenvolveu sua dissertação de mestrado sobre o tema na Universidade Federal de Viçosa (UFV) —, e o chef mexicano Marco Meléndez, fundador da produtora 'O Chapelão' e diretor gastronômico da Testal.

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Da academia para o campo comercial

A base técnica que permitiu o sucesso do plantio comercial nasceu diretamente dos laboratórios e campos de teste da UFV em 2023. José Enrique Espitia, que chegou ao Brasil em 2022, relembrou como a pesquisa acadêmica se transformou em um desejo pessoal e, posteriormente, em um negócio inovador:

"Na minha pesquisa de mestrado, analisamos o acúmulo de massa de matéria seca e nutrientes em diferentes partes da planta. Mas a inquietude começou porque eu tinha vontade de comer o tomatillo mexicano aqui. A dissertação foi concluída, mas ainda espera a publicação de um artigo científico para entender exatamente como a planta absorve os nutrientes com diferentes exigências. A planta mostrou grande potencial, provando ser uma cultura nova e com muitas possibilidades. A ideia toda saiu desde a pesquisa de mestrado em 2023, e espero que esse ano saia a publicação do artigo", contou José Enrique à Itatiaia.

Ao descobrir esse estudo, o chef Marco Meléndez enxergou a oportunidade perfeita para unir a ciência agrícola à alta gastronomia. "Eu disse: 'Cara, se você topar, você tem o conhecimento técnico, eu tenho o conhecimento gastronômico e tenho a demanda de outros chefs'. Como dizem aqui em Minas, juntamos a fome com a vontade de comer", contou Meléndez.

O chef ressaltou que o Brasil é imensamente rico em ingredientes compartilhados com a cultura mexicana — como o urucum, o amendoim, o gergelim, a semente de abóbora, o amaranto e a palma forrageira —, mas que ainda são escassamente explorados na culinária nacional por puro desconhecimento.

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Embora pertença à mesma família da Physalis amarela (muito decorativa em doces no Brasil), o tomatillo mexicano não é doce. Trata-se de um fruto ácido, aspecto que faz toda a diferença na estrutura de molhos tradicionais, os famosos "moles".

O alvo: 4 milhões de paladares 'frustrados'

Para Meléndez, a iniciativa é também uma resposta à forte "tropicalização" que descaracterizou a comida mexicana no Brasil ao longo dos anos. O foco do novo produto está em um público altamente exigente.

"Minha jornada começou em 2012, quando vim ao Brasil e fiquei decepcionado com os estabelecimentos que se diziam de comida mexicana. Eles estavam mais preocupados com o faturamento do que em apresentar uma cozinha de raiz. Hoje, eu sei para quem estou trabalhando. Entre 2012 e 2026, cerca de 4 milhões de brasileiros visitaram o México. Eles experimentaram a comida real e têm memória gastronômica. Meus clientes são esses 4 milhões que ficam frustrados por não reencontrarem aqui o que comeram lá fora".

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Desafios no campo e desperdício zero: o segredo da casca

A primeira safra, contudo, enfrentará os desafios típicos de uma cultura estreante. O processo agrícola foi marcado por uma seleção rigorosa e pelo ataque de pragas e doenças. Na primeira plantação, das 1.300 sementes colocadas para germinar, apenas 1.000 vingaram e foram transplantadas. No caminho, o ataque da bactéria Ralstonia dizimou parte da plantação. Para proteger as novas mudas, a equipe agrícola iniciará um tratamento preventivo à base de cobre. No total, restaram 600 plantas saudáveis para abastecer esta safra inaugural. Foram plantadas mais 1300 sementes já com tratamento para cobre.

Plantas mortas por bactéria • Arquivo
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Para além do fruto verde, Meléndez compartilha um segredo de chef: até a casca do tomatillo, que lembra uma folha seca envolvendo o fruto, ganha utilidade na gastronomia e na medicina natural.

"Com a casca, faz-se uma infusão (chá) que utilizamos para hidratar a massa dos tamales (as pamonhas mexicanas). Isso faz com que a massa fique aerada e fofinha. Além disso, desde o tempo dos astecas, essa infusão é usada como remédio caseiro para desinflamar as vias urinárias. Não se perde nada", explicou o chef.

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Como adquirir

A Testal já abriu a pré-venda dos tomatillos frescos em sua loja virtual (https://www.testal.com.br/tomatillo-mexicano). Os frutos, que atualmente pesam cerca de 9 gramas, devem atingir a média ideal de até 25 gramas até o fim do mês. Os envios estão programados para começar na última semana de julho de 2026, com prioridade para restaurantes parceiros e clientes cadastrados, devido ao estoque limitado.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.