Azeite mineiro participa de concurso pela primeira vez e leva ouro na Itália
Produzido em Cristina (MG) por agricultores familiares, o azeite 'Alto da Serra' ficou entre os cinco melhores de toda a América do Sul

A olivicultura de Minas Gerais alcançou mais um marco histórico no cenário internacional. O azeite Alto da Serra Blend, produzido no município de Cristina, na Região da Mantiqueira de Minas, conquistou a cobiçada Medalha de Ouro na edição 2026 do Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC), realizado na Itália. A premiação, considerada uma das mais prestigiadas do mundo no setor, foi realizada no último dia 26 de junho, em Palmi, na Região da Calábria.
Além da medalha dourada, o azeite mineiro — cuja extração foi realizada no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Maria da Fé — obteve outro feito expressivo: classificou-se entre os cinco melhores da América do Sul, disputando o prestigiado prêmio especial Raúl C. Castellani.

Da curiosidade ao topo do mundo
O resultado consagra a trajetória da agricultura familiar no Sul de Minas. O olivicultor Alisson Moreira, de 38 anos, nasceu no próprio sítio onde hoje cultiva as oliveiras e revela que a paixão começou após provar o produto local.
"Cristina é cidade vizinha de Maria da Fé, onde foi extraído o primeiro azeite extravirgem [do Brasil] em 2008. Quando conheci uma oliveira e experimentei um azeite puro produzido na Mantiqueira, gostei tanto que surgiu o interesse em cultivar. Procuramos a Epamig e nos informamos a respeito, até que decidimos iniciar o plantio no final de 2017."

O caminho até o ouro internacional exigiu resiliência diante dos desafios climáticos da região. A produção começou tímida em 2022, com apenas 12 litros. No ano seguinte, uma forte chuva de granizo na época da frutificação causou grandes perdas, resultando em apenas 17 litros. A virada veio em 2024, com uma colheita de 175 litros e o lançamento oficial da marca.
"Em 2026, por muitos falarem que era um azeite muito bom, resolvemos participar do concurso na Itália. Ganhar a medalha de ouro foi incrível, e maior ainda foi ficar entre os cinco melhores da América do Sul. É uma grande conquista e muita felicidade para a gente, que é produtor familiar, em uma lavoura pequena de 1,5 hectare com 340 árvores", celebrou Alisson.
Domínio mineiro em premiação nacional
O reconhecimento do terroir de Minas Gerais também se refletiu no cenário nacional. Cinco azeites do estado foram classificados entre os dez finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 – Azeite de Oliva, organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. O concurso avalia quesitos técnicos rigorosos como amargor, picância, frutado, complexidade e equilíbrio para as categorias monovarietal e blend.
A avaliação técnica foi realizada em Brasília (DF) e contou com o suporte de especialistas da Epamig, Embrapa e UFCS Porto Alegre. Os pesquisadores da Epamig, Luiz Fernando de Oliveira (como jurado) e Carolina Zambon (na conferência de laudos químicos e amostras), representaram o estado na banca.
Além da análise sensorial em laboratório, o prêmio nacional conta com etapas de júri popular e julgamento da história da produção, valorizando a identidade e o trabalho de campo. Na fase de júri popular, realizada em 27 de junho, os azeites mineiros se destacaram em duas frentes:
- Categoria Blend: concorrem os rótulos Mantikir Summit Premium e L’Az.
- Categoria Monovarietal: Estão na disputa os azeites Mantikir Grappolo, Alto das Oliveiras e Aiu.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



