Minas domina ExpoQueijo 2026 com 67 troféus e o cobiçado 'Super Ouro'
Na maior competição das Américas, o queijo mineiro venceu gigantes europeus, como o Parmigiano Reggiano italiano

Minas Gerais consolidou de vez sua posição como uma das maiores potências mundiais do queijo artesanal. Durante a ExpoQueijo Brasil 2026 – Araxá International Cheese Awards, encerrada no último fim de semana, o estado deu um verdadeiro show e faturou 67 troféus, incluindo o prêmio máximo do concurso: o cobiçado Super Ouro, conquistado pelo queijo mineiro pelo segundo ano consecutivo.
A histórica edição realizada em Araxá reuniu cerca de mil amostras de 19 países e foi avaliada por mais de 200 jurados nacionais e internacionais. No total, a delegação mineira levou para casa 23 medalhas de ouro, 22 de prata e 21 de bronze.
O melhor das Américas: a receita da Mantiqueira que desbancou a Europa
O grande protagonista da competição foi o Queijo Maranata Ouro, produzido por Henrique Lamim no Rancho Maranata, em Virgínia, no Sul de Minas. O grande campeão é um queijo de receita tradicional da Mantiqueira de Minas com nove meses (270 dias) de maturação. Embora a queijaria trabalhe com quatro tempos diferentes de maturação em seu catálogo (30, 60, 100 e 270 dias), foi justamente o lote mais antigo e complexo que conquistou em cheio o paladar dos especialistas internacionais.
Feito com leite cru e casca lisa lavada, o queijo superou concorrentes de alguns dos países mais tradicionais do planeta. Para Lamim, a vitória é o resultado de uma evolução construída ao longo de seis anos de participação e persistência no evento:
"É o sexto ano que a gente participa. Para mim, é um concurso muito disputado e com muita credibilidade. A gente conquistou bronze em 2023, prata em 2024, em 2025 ficamos em quarto lugar e viemos trabalhando para melhorar a qualidade. Este ano fomos agraciados com o Super Ouro", celebrou o produtor.

Ele também não escondeu o orgulho de vencer os tradicionais e rigorosos produtores europeus na mesma categoria: "Concorremos com os reis do parmesão, os italianos, o Parmigiano Reggiano e o Grana Padano. Com a graça de Deus, meu queijo, com nove meses de maturação, conquistou o Ouro e o Super Ouro", afirmou Henrique.
Com a vitória de 2026, o Brasil se firma no topo do campeonato das Américas. Nas primeiras edições, a Itália garantiu o prêmio máximo, seguida pela Argentina em 2023 e 2024. Em 2025, o Brasil alcançou o primeiro lugar pela primeira vez e, agora, repete a dose — em ambas as ocasiões com queijos legítimos de Minas Gerais.
Emoção e reconhecimento no campo
A chuva de medalhas espalhou celebração por diversas regiões mineiras, evidenciando o impacto econômico e social do reconhecimento para os produtores familiares:
- Andrelândia (Sul de Minas): Pedro Henrique comemorou o ouro com o queijo Lendário da Generosa Ouro. "A última vez que a gente ganhou um troféu ouro aqui foi em 2021. Estar levando outro ouro em 2026 é muito importante. Essa é uma feira de grande prestígio", destacou.
- Sacramento: Ivanete Maria, da Queijaria Café com Queijo, faturou a prata e se emocionou. "Produzir queijo é um trabalho de todos os dias, sem descanso. Essa medalha valoriza o trabalho da nossa família e mostra que o queijo artesanal merece cada vez mais reconhecimento."
- Araxá: Jogando em casa, o produtor Alexandre Honorato viveu uma edição especial ao conquistar três troféus (um ouro e duas pratas) com o queijo Minerim 150 Dias. "A gente não sabe nem descrever a alegria. São tantos desafios enfrentados na fazenda e, quando chega um reconhecimento desses, vemos que nosso queijo está entre os melhores do mundo. Isso abre portas e nos dá força para continuar", comemorou.

Vitrine Internacional de Negócios
A ExpoQueijo Brasil se consolidou como o principal ponto de encontro do segmento nas Américas, unindo cultura, turismo e inovação voltados à agroindústria.
O festival e o concurso internacional contam com a realização da Bonare Eventos em parceria com o Governo de Minas Gerais e o Governo Federal, além do suporte técnico e institucional de órgãos como o IMA, Emater-MG, Epamig e o Instituto de Laticínios Cândido Tostes.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



