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Azeite mineiro: produção de azeitonas 'explode' na Mantiqueira após frio ideal

Após safra frustrada pelo clima em 2025, o primeiro grupo de olivicultura do Programa ATeG, do Sistema Faemg Senar, celebra recorde

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Azeite mineiro: produção de azeitonas explode na Mantiqueira após frio ideal
Faemg Senar/ Divulgação

Uma cultura milenar que fincou raízes na Serra da Mantiqueira há quase um século vive um momento de forte expansão e renovação da confiança. Com clima favorável e a chegada de assistência especializada, os 30 produtores de oliveiras que integram o primeiro grupo de olivicultura do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar em Minas Gerais celebram um resultado histórico.

Na safra de 2026, o grupo alcançou a marca de 74 toneladas de azeitonas colheitas em uma área de 46 hectares. O número ganha contornos ainda mais expressivos quando comparado ao ciclo de 2025, severamente prejudicado pelo clima instável, quando foram colhidas apenas 2 toneladas em 16 hectares. O volume atual representa também o dobro do registrado na safra de 2024 (35 toneladas). Os dados constam no levantamento feito pelo técnico de campo e responsável pelo grupo, Daniel Fernandes Miranda.

 

Desafio do manejo e a exigência do inverno

O grupo pioneiro na cadeia da olivicultura estadual teve início em janeiro de 2025, abrangendo Maria da Fé e outros 13 municípios vizinhos. De acordo com o técnico Daniel Miranda, que acumula 13 anos de experiência no setor, o cenário inicial era de desânimo entre os agricultores.

"Não havia manejo adequado, o controle de pragas e doenças estava interrompido e as podas não eram realizadas. O suporte era feito apenas por consultorias particulares", relembra.

Além das correções técnicas, o sucesso das oliveiras depende diretamente de um fator imprevisível: o clima. O especialista explica que, para garantir a floração e uma boa carga de frutos, as plantações precisam de pelo menos 400 horas (cerca de 17 dias) com temperaturas abaixo de 12°C, com baixa amplitude térmica.

Maria da Fé ostenta o título de cidade mais fria de Minas Gerais, mas, em anos de invernos menos rigorosos — como ocorreu no ciclo 2024/2025 —, a produção quebra quase por completo.

Histórias de superação no campo

A reviravolta na produção transformou por completo a realidade de agricultores que já cogitavam abandonar a atividade devido às frustrações anteriores. Em Dom Viçoso, o produtor Márcio Heleno Junqueira, que mantém um olival situado entre 1.300 e 1.450 metros de altitude, relata que quase não havia colhido frutos no ano passado. Com a chegada das diretrizes do programa, sua colheita atual saltou para 2,6 toneladas, o que trouxe um novo fôlego para o negócio.

• Faemg Senar/ Divulgação
• Faemg Senar/ Divulgação

"Eu estava quase desistindo, quando apareceu o ATeG Olivicultura. Gostei desde a primeira visita e começamos o trabalho. Acreditei e fui fazendo o que o técnico mandava, então vi que realmente dá resultado. Foi uma grata surpresa eu ter colhido duas toneladas, depois de colher quase nada no ano passado e pouco no ano anterior. Só tenho que agradecer", comemorou o produtor.

Uma evolução semelhante ocorreu no Sítio Machu Picchu, localizado no município de Cristina, onde as produtoras Carla Vilela e sua mãe, Marinêz Santos Vilela de Almeida, registraram um incremento impressionante de 200% na produção. O volume colhido pela família saltou de 1,4 tonelada em 2025 para 15 toneladas na safra atual, e o número poderia ter sido ainda maior, já que cerca de 4 toneladas de azeitonas precisaram ser deixadas no pé por falta de tempo hábil para a colheita.

"Sob a orientação do Senar, mudamos o manejo: fizemos poda na hora certa, colocamos gesso e calcário, trocamos os fertilizantes, pulverizamos e manuseamos a cobertura de forma diferente. O resultado foi um incremento na produção de 200%, com 15 toneladas, sem contar que deixamos um talhão com quase quatro toneladas no pé porque não conseguiram colher", celebrou Carla.

Para Caio Oliveira, gerente da regional Varginha do Sistema Faemg Senar, essas histórias de sucesso demonstram como o programa cumpre o papel essencial de profissionalizar e dar sustentabilidade ao setor que está em plena expansão na região. "Com o ATeG, podemos levar a esses produtores orientações técnicas e gerenciais, bem como disponibilizar um especialista na área para que, junto com o produtor, adotem as melhores práticas de produção e fabricação dos seus produtos", pontuou o gerente.

Maria da Fé: o berço do azeite nacional

Diferente de outras regiões do mundo onde o foco é o consumo da fruta em conserva, no Sul de Minas a colheita — concentrada entre os meses de fevereiro e abril — é voltada quase que exclusivamente para a extração de azeite de oliva extravirgem.

A vocação da cidade começou a se desenhar na década de 1930, quando um imigrante português, notando as semelhanças climáticas de Maria da Fé com sua terra natal, trouxe as primeiras mudas. Anos mais tarde, as plantas serviram de base para pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que em 2008 realizou a primeira extração de azeite extravirgem do Brasil.

Atualmente, o "ouro líquido" transformou não apenas o PIB da região, mas também o turismo. A criação da "Rota do Azeite e do Café" atrai milhares de visitantes anualmente, que cruzam as montanhas da Mantiqueira para conhecer os olivais, acompanhar a prensa nos lagares modernos e realizar degustações guiadas de azeites premiados internacionalmente.

*Com informações de Juliana Campos da Faemg em Varginha

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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