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Exportação de maçã cresce mais de 200% e puxa alta das frutas do Brasil

Setor superou desafios globais no 1º semestre e somou US$ 707,9 milhões com avanço simultâneo em volume e receita

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Exportação de maçã cresce mais de 200% e puxa alta das frutas no Brasil
Vendas somaram US$ 707,9 milhões e 619,1 mil toneladas • Canva/ Reprodução

A fruticultura brasileira alcançou um novo marco no comércio internacional durante o primeiro semestre de 2026. Mesmo diante de um cenário global mais complexo, o setor registrou avanço simultâneo tanto em receita quanto em volume embarcado.

Entre janeiro e junho, as vendas de frutas brasileiras ao exterior somaram US$ 707,9 milhões e 619,1 mil toneladas. O resultado representa um salto de 20,64% em valor e de 13,32% em volume na comparação com o mesmo período de 2025, quando o país faturou US$ 586,8 milhões com o embarque de 546,3 mil toneladas.

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o desempenho foi impulsionado sobretudo pelos embarques de mangas, maçãs, abacates e melancias. Em contrapartida, culturas como uva, banana e melão enfrentaram desafios pontuais na temporada, sem comprometer o resultado geral do setor.

"O primeiro semestre confirma a capacidade do setor de responder aos desafios com eficiência, qualidade e abertura de mercados. A diversificação dos destinos, o investimento constante em tecnologia e as ações de promoção comercial das frutas brasileiras, desenvolvidas por meio do projeto Frutas do Brasil, em parceria com a ApexBrasil, têm fortalecido a presença dos nossos produtos no mercado internacional e ampliado as oportunidades para os produtores brasileiros", destacou Waldyr Promicia, presidente da Abrafrutas.

Os destaques positivos: alta expressiva na maçã e consolidação da manga

  • Maçã: foi o grande destaque do período, com expansão histórica de 223,55% em faturamento e 225,11% em volume. Segundo Moises Lopes de Albuquerque, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), o salto decorre da maior safra já registrada no país, após dois anos de retração por fatores climáticos. A Índia permaneceu como a principal compradora, seguida por Arábia Saudita e Rússia.
  • Manga: segue entre os principais produtos da pauta exportadora, registrando alta de 42,41% em valor e 37,96% em volume, reflexo da alta qualidade do produto e da consolidação em mercados estratégicos.
  • Abacate: apresentou crescimento de 72,52% em valor e 92,68% em volume, impulsionado pela melhor safra dos últimos cinco anos em São Paulo, o que ampliou a oferta para o exterior.
  • Melancia: avançou 30,59% em receita e 6,27% em volume, beneficiada pela constância de oferta e qualidade da produção do Nordeste.

O levantamento também apontou avanços em cultivos como limões e limas, mamão e outras frutas, reforçando a diversificação da pauta brasileira.

Desafios pontuais no mercado externo

Na outra ponta, algumas culturas sentiram o impacto de gargalos comerciais e climáticos:

  • Uva: teve queda de 27,92% em valor e 27,86% em volume. A retração foi conjuntural, motivada por incertezas no mercado norte-americano após o anúncio de novas tarifas pelos Estados Unidos, o que desacelerou os embarques.
  • Banana: registrou redução de 15,63% em valor e 27,19% em volume, pressionada pela concorrência no Mercosul, onde frutas vindas do Equador, Bolívia e Paraguai foram negociadas a preços mais competitivos.
  • Melão: apesar de uma leve queda de 2% no volume embarcado devido a impactos climáticos pontuais, a receita subiu 8,18%, sustentada por melhores preços e pela demanda firme no exterior.

Perspectivas para o segundo semestre

A expectativa da Abrafrutas é manter o ritmo de crescimento na segunda metade do ano. A entidade avalia que a ampliação de novos mercados e a competitividade das frutas brasileiras serão estratégicas para mitigar riscos globais e consolidar um novo recorde anual de exportações para o setor.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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