Embrapa identifica tecnologia STS em 15% das cultivares de soja avaliadas
Levantamento analisou 423 cultivares entre 2021 e 2026 e identificou a característica que amplia opções de manejo de plantas daninhas

Uma pesquisa avaliou cultivares de soja disponíveis no mercado e identificou que 15% apresentaram alterações genéticas associadas à tolerância aos herbicidas do grupo químico das sulfonilureias, característica conhecida como Soja Tolerante às Sulfonilureias (STS). Entre 2021 e 2026, pesquisadores da Embrapa Soja (PR) avaliaram 423 cultivares e identificaram o traço em 62 delas. Essa identificação auxilia o manejo de plantas daninhas de difícil controle e da soja voluntária (aquela que cresce espontaneamente) em culturas subsequentes.
“Enquanto a soja pode sofrer severas perdas de produtividade ao entrar em contato com os herbicidas do grupo das sulfonilureias, as cultivares STS possuem tolerância inerente a essas substâncias”, explicou o pesquisador Fernando Adegas, da Embrapa Soja. O estudo completo está disponível na publicação Monitoramento de cultivares de soja tolerantes a sulfonilureias (STS).
Para Adegas, um diferencial da soja STS é oferecer uma alternativa ao uso exclusivo do glifosato, principal herbicida utilizado nas cultivares transgênicas que estão no mercado. “A tecnologia STS permite o controle eficaz de plantas de difícil manejo, que apresentam resistência a outros produtos no campo”, ressaltou.
O pesquisador afirmou ainda que alguns herbicidas à base de sulfonilureias são utilizados com restrições na soja, pois podem provocar fitotoxicidade à planta não tolerante. A fitotoxicidade é um dano (amarelamento, necrose, deformações e atraso no crescimento da planta) provocado pelo herbicida por erro de dosagem, condições climáticas adversas, estresse das plantas, entre outros motivos. “A soja STS, no entanto, pode ser exposta ao produto sem sofrer fitotoxicidade, o que amplia as possibilidades de manejo de plantas daninhas”, concluiu Adegas.
Monitoramento da soja voluntária
O pesquisador Rafael Mendes, também da Embrapa Soja, revelou que os herbicidas do grupo químico das sulfonilureias são usados para controle de plantas daninhas e também para monitorar a presença de soja voluntária, conhecida como “soja tiguera” ou “soja guaxa”. É uma soja que nasce espontaneamente a partir de grãos caídos da colheita e que, geralmente, dificulta o manejo das culturas subsequentes.
“A escolha de cultivares sem o conhecimento sobre a presença ou a ausência da tecnologia STS pode trazer maior dificuldade no controle de soja voluntária”, explicou.
Segundo ele, a soja espontânea que emerge em meio à cultura do trigo, cultivado em sucessão, pode ser controlada quimicamente com aplicações de algumas sulfonilureias, assim como a soja voluntária em milho safrinha ou algodão. “Isso não seria possível se a soja voluntária fosse uma cultivar STS, já que nesse caso as sulfonilureias não controlariam a soja voluntária em nenhuma cultura sucessora”, complementou.
Na avaliação do pesquisador, a tecnologia STS é considerada uma alternativa viável, especialmente com cultivares convencionais, pois possibilita o uso de herbicidas do grupo das sulfonilureias com mais segurança. “Além disso, algumas sulfonilureias são herbicidas utilizados em pré-emergência, importante modalidade de aplicação para o manejo de plantas daninhas”, esclareceu.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



