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Entidades do agro se unem contra praga do javali e pedem plano nacional de controle

Produtores rurais alertam para prejuízos em lavouras e riscos sanitários, cobrando uma ação coordenada entre ministérios e estados para conter a praga no país

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Entidades do agro se unem contra praga do javali e pedem plano nacional de controle
Canva/ Reprodução

A proliferação descontrolada de javalis e javaporcos no campo acendeu um sinal de alerta vermelho no setor agropecuário brasileiro. Para discutir medidas urgentes e articular uma força-tarefa nacional, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) realizou o 'Fórum Javali – Impactos, Estratégias e Ação Coordenada', em parceria com o Senar e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O encontro reuniu autoridades do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ibama, pesquisadores, produtores rurais e controladores para estruturar um plano de contingência contra a espécie exótica invasora, considerada uma das 100 piores do mundo.

Durante o evento, dados apresentados demonstraram que o animal já se espalhou por ao menos 15 unidades da Federação. Em São Paulo, pesquisa da Faesp em 76 sindicatos indicou que os animais estão presentes em todas as regiões, afetando desde grandes culturas de grãos até citros, olericultura e nascentes de água. Já em Minas Gerais, dados do Ibama, anunciados pela Faemg, apontam 198 municípios com registro da praga 64 deles classificados com prioridade ambiental "extremamente alta".

"O javali é uma espécie que representa sérios riscos sanitários para a saúde humana e animal, além de não possuir predadores naturais no Brasil. Se não houver integração entre os estados e órgãos competentes, o controle torna-se impossível", alertou o analista de sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, Guilherme Oliveira.

Prejuízos econômicos e ambientais

Os relatos do campo impressionam pela gravidade. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Sacramento, Osny Zago, revelou que ataques constantes reduziram o plantio de milho pela metade na região. Em outros pontos do país, há registros de perdas de até 40% na cultura. O avanço da espécie atinge ainda a fauna nativa: os animais destroem ninhos e devoram filhotes de emas, perdizes e codornas.

Os estragos chegam também à infraestrutura das propriedades e aos recursos hídricos. "Em Sacramento, os javalis chegaram a mudar o curso do córrego que abastece o município por causa do hábito de fuçar a terra e formar barreiros. Além disso, o aumento expressivo da população já tem provocado acidentes graves em rodovias", relatou Zago, ressaltando que o abate quinzenal promovido por caçadores locais não tem sido suficiente para conter a taxa de reprodução do bicho.

Estudos econômicos indicam que conter a praga pode gerar reflexos positivos diretos no PIB agrícola até 2030, trazendo um benefício estimado em mais de R$ 1 mil por animal manejado, além de afastar o risco de proliferação de enfermidades graves, como a Peste Suína Africana (PSA).

Matriz de compromissos e quatro diretrizes inegociáveis

Diante do cenário crítico, o Fórum consolidou um documento final estruturado em quatro premissas fundamentais enviadas ao Governo Federal:

  • Rigor proporcional: enfrentamento da invasão reconhecendo a gravidade dos danos econômicos, ambientais e riscos sanitários.

  • Política Pública de Estado: fim de ações fragmentadas e criação de uma diretriz integrada entre as pastas de agricultura, meio ambiente, saúde e segurança pública.

  • Respaldo científico: ações operacionais pautadas em monitoramento populacional contínuo e tecnologia, com nova plataforma de cadastro em desenvolvimento pelo Ibama.

  • Aceleração e segurança jurídica: desburocratização das autorizações de manejo para agir de forma mais rápida do que a capacidade reprodutiva do animal.

Representantes do Mapa e do Ibama classificaram o encontro como divisor de águas para a criação de um mapa real da presença do animal no país. Enquanto os desdobramentos operacionais são definidos no âmbito federal, os estados tentam avançar localmente: a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), por exemplo, aprovou recentemente projeto de lei que autoriza o controle populacional da espécie em todo o território mineiro.

*Com informações da Faemg e Faesp

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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