Itatiaia

Valdir Barbosa: até o boi está com medo do El Niño e da economia brasileira

Brasil lidera com folga a primeira posição de maior cobrador de impostos do planeta e já começa a sentir os efeitos do El Niño. Com essa dupla trabalhando em paralelo, como fica o Agro?

Por
E não é somente para o boi. Vale para os demais alimentos que são cultivados à céu aberto • Gabriel Faria/Embrapa

Amigas e amigos do Agro!

Há poucos dias ouvi de um pecuarista: “o El Niño não manda boleto, mas a conta chega todo mês na fazenda, já o governo manda um monte de boletos e não perdoa o prazo de pagamento”

Vou te sugerir uma olhada no site da CNN, aba de economia, para reconfirmar a liderança mundial brasileira nas taxas de juros reais em setembro:

1- Brasil com 8,45%
2- Rússia 6,79% (Mesmo em guerra com a Ucrânia há 4 anos)
3- Colombia - 6,33%
4- Turquia - 6,25%
7- Argentina - 2,69% (que distancia do Brasil!)

A chegada do El Niño vem trazendo avisos de imprevisibilidade e porque o boi está com medo do El Niño e da economia brasileira? A começar pelo plantio da soja e do milho que podem ser atingidos em cheio em algumas regiões no momento mais forte do fenômeno.

Sinal de aumento nos preços, aliás a soja vai subindo e ultrapassando a 140 reais a saca, podendo superar 160 reais nos portos. O milho corre para chegar aos 70 reais a saca e há previsão de um estoque mundial menor ano que vem.

O El Niño vai determinar a condição das pastagens. O mercado cuida do preço e o produtor tem que sobreviver com ambos. Resta ao consumidor, chegar ao açougue, observar os preços e ver qual o corte da carne caberá no seu bolso.

O El Niño chega determinando como serão as chuvas, temperaturas e consequentemente as pastagens. E quando o clima aperta o produtor tem que complementar a alimentação, aí o custo sobe!

E não é somente para o boi. Vale para os demais alimentos que são cultivados à céu aberto.

O mercado da carne vive um momento preocupante. Menos boi no pasto, preços no atacado subindo e para o consumidor há uma estabilidade no varejo, porém com preços altos e a demanda doméstica cada vez menor, o povo está comendo menos carne de boi.

Valdir Barbosa
Itatiaia Agro

Por

Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.

 

 

Belo Horizonte