Preço do boi gordo aproxima praças no país, mas MT amplia diferença, aponta Cepea
Análise do Cepea mostra menor diferença nas cotações regionais em relação a SP; dinâmicas locais de oferta e clima explicam exceção mato-grossense

O mercado da pecuária de corte no Brasil registra um movimento de aproximação nas cotações da arroba do boi gordo entre São Paulo, praça de referência no país, e os demais estados produtores. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que a dispersão regional de preços encolheu na maioria das praças acompanhadas entre julho de 2025 e este mês de julho.
Essa maior proximidade nos valores praticados pelo país é explicada por um conjunto de dinâmicas locais e globais:
- Condições climáticas: regime de chuvas e a qualidade das pastagens afetam diretamente o ritmo de engorda e o momento em que o pecuarista coloca os animais à venda.
- Oferta de gado terminado: disponibilidade imediata de lotes prontos para o abate dita a pressão compradora dos frigoríficos.
- Escalas de abate: nível de agendamento das indústrias baliza a urgência por novas aquisições na semana.
- Demanda e exportações: ritmo de consumo de carne bovina in natura no mercado doméstico e o volume de embarques para o exterior sustentam a movimentação das escalas.
Aproximação no Norte e Nordeste
O encurtamento na diferença de preços em relação à referência paulista foi notado com maior intensidade nas praças das regiões Norte e Nordeste. Em ambas, a readequação da oferta local e o fluxo comercial aproximaram os valores dessas praças daqueles praticados no Sudeste.
Mato Grosso é exceção no movimento
Na contramão da tendência geral de convergência, o estado de Mato Grosso, detentor do maior rebanho bovino do país, ampliou significativamente a distância das suas cotações em relação ao mercado de São Paulo no mesmo período.
Segundo pesquisadores do Cepea, o comportamento mato-grossense evidencia que, embora o mercado nacional dê sinais de alinhamento, a formação do preço do boi gordo continua atrelada às particularidades regionais de oferta e demanda por gado pronto para o abate.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



