É falso: China não aplicou nova tarifa à carne bovina do Brasil, diz MAPA
Ministério desmente boatos e confirma que embarques seguem pagando alíquota normal de 12% dentro do teto de 1,1 milhão de toneladas

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu uma nota oficial nesta quarta-feira (22) para desmentir boatos que circulam nas redes sociais sobre uma suposta nova taxação imposta pela China às importações de carnes brasileiras neste mês. O órgão esclarece que a informação é falsa e que as regras de comércio com o país asiático permanecem as mesmas definidas no final do ano passado.
A confusão decorre da interpretação equivocada de uma medida de salvaguarda anunciada anteriormente pelo governo chinês. A regra prevê uma tarifa de 55% sobre as compras de carne bovina que ultrapassarem as cotas estipuladas para cada país exportador. No caso do Brasil, essa sobretaxa ainda não está sendo aplicada, pois o volume enviado ao mercado chinês continua dentro do limite estabelecido.
"Trata-se de uma medida específica de salvaguarda para todas as importações de carne bovina da China que excederem a cota estabelecida para cada país. O Brasil foi contemplado com a maior cota, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de importação de 12%, igualmente aplicada ao volume das cotas destinadas a outros países" esclareceu o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Brasil já utilizou 80% do teto e mantém alíquota normal
Atualmente, todo o volume de carne bovina brasileira comercializado dentro da cota oficial paga uma alíquota regular de 12% de imposto de importação — a mesma taxa aplicada aos concorrentes internacionais.
Segundo dados do Ministério do Comércio da República Popular da China (MOFCOM), o Brasil já utilizou 80% de sua cota anual, que é de 1,106 milhão de toneladas — a maior cota concedida pela China a um parceiro comercial. A tarifa de 55% só passará a incidir sobre o volume que eventualmente exceder esse montante.
O Mapa reforça que a medida chinesa abrange todos os fornecedores globais e não se trata de uma penalização ou taxação direcionada exclusivamente ao mercado brasileiro.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



