EUA mantêm café do Brasil isento de tarifas e setor celebra decisão
Trabalho conjunto entre entidades do Brasil e dos EUA garante taxa zero e protege exportações bilionárias do produto nacional

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) celebrou como uma importante vitória a permanência do café brasileiro na lista de isenção de nova tarifa dos Estados Unidos, ameaçada por alegações relativas ao combate ao trabalho forçado.
Em pronunciamento em vídeo, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, destacou que o resultado positivo foi fruto da atuação conjunta com a National Coffee Association (NCA), organização que representa o setor cafeeiro norte-americano.
União setorial e diplomacia privada
A conquista é reflexo de uma ofensiva diplomática e técnica que durou mais de um ano. O esforço foi liderado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) e a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Em colaboração estreita com a NCA, foram realizadas mais de 100 reuniões com os Departamentos de Comércio, de Estado, de Agricultura dos EUA e com o próprio USTR.
"Explicamos, de forma técnica e apolítica, a importância do café ao consumidor, à indústria e para a economia dos EUA. Isso possibilitou uma melhor compreensão das autoridades americanas, resultando nessa conquista de os cafés do Brasil não serem tarifados para entrarem no principal mercado consumidor do mundo", disse o diretor-geral do Cecafé.
Transparência social e combate a distorções
Um dos pontos mais críticos do processo envolvia a segunda investigação da Seção 301, voltada a apurar supostas vulnerabilidades no cumprimento de leis trabalhistas por parceiros comerciais.
Para demonstrar a responsabilidade social do setor, o Cecafé apresentou um diagnóstico minucioso das ações de fiscalização no campo:
- Escala de monitoramento: registro de mais de 58 mil fiscalizações no campo nos últimos anos.
- Índice de inconformidades: cerca de 1% dos casos apresentou qualquer apontamento relacionado a direitos humanos.
- Ações estruturantes: parcerias estratégicas com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por meio do Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura e do Programa Trabalho Sustentável (PTS), que já capacitaram mais de 600 técnicos multiplicadores para orientar os produtores sobre formalização da mão de obra.
A atuação do presidente e CEO da NCA, Bill Murray, foi decisiva ao defender a cafeicultura brasileira e apresentar esse dossiê diretamente a mais de oito oficiais das principais instâncias governamentais norte-americanas.
Os números do comércio bilateral
A decisão consolida o Brasil como grande parceiro do mercado norte-americano e protege os dados econômicos expressivos dessa relação:
- Volume de embarques: o Brasil exporta em média 6 milhões de sacas (60 kg) por ano para o mercado norte-americano.
- Receita cambial para o Brasil: o fluxo de vendas gera cerca de US$ 2 bilhões anuais ao país.
- Movimentação na economia dos EUA: o café brasileiro movimenta entre US$ 2,0 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano na indústria e no comércio dos Estados Unidos.
Com o parecer favorável do USTR, a cadeia de suprimentos entre o maior produtor global e o maior consumidor de café do mundo mantém sua competitividade e normalidade no comércio internacional.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



