Exportações de café do Brasil rendem US$ 14,5 bilhões na safra 2025/26 mesmo com queda
Apesar do recuo de 15,7% no volume embarcado devido ao clima e gargalos logísticos, o preço médio recorde garantiu o segundo melhor resultado financeiro da história para o setor

O Brasil encerrou o ano-safra 2025/26 com faturamento de US$ 14,595 bilhões nas exportações de café, impulsionado por preços internacionais recordes. Segundo dados do Cecafé, o país embarcou 38,462 milhões de sacas para 125 destinos mundiais, consolidando a segunda melhor receita da história para o setor, mesmo com uma retração no volume físico. Embora o volume total represente uma queda de 15,7% em comparação com a temporada anterior (2024/25), o faturamento recuou apenas 1%.
De acordo com Márcio Ferreira, presidente do conselho do Cecafé, a redução no volume físico exportado já era esperada pelo mercado devido à menor disponibilidade de café no país. "Após exportações recordes em 2024, os estoques brasileiros reduziram significativamente. Aliado a isso, a safra 2025 foi afetada por adversidades climáticas, o que diminuiu a oferta de café", explicou Ferreira.
Por outro lado, o preço médio das exportações atingiu o maior patamar histórico, cotado a US$ 379,48 por saca — uma alta de 17,4% sobre o ciclo anterior. A valorização foi sustentada por fundamentos de mercado favoráveis (com oferta e demanda globais ajustadas ou deficitárias) e pela forte capitalização dos produtores brasileiros, que puderam cadenciar as vendas no período de entressafra para buscar as melhores cotações.
Raio-X dos tipos de café exportados
O café arábica seguiu liderando as exportações brasileiras, enquanto a categoria de cafés diferenciados manteve forte participação em valor:
- Café arábica: 29,499 milhões de sacas (76,7% do total, com queda de 15,3%).
- Café canéfora (Conilon + Robusta): 5,031 milhões de sacas (13,1% do total, com queda de 23,5%).
- Café solúvel: 3,874 milhões de sacas (10,1% do total).
- Torrado e moído: 56.860 sacas (0.1% do total).
- Cafés Diferenciados (Especiais/Sustentáveis): foram embarcadas 7,388 milhões de sacas (19,2% do total), gerando US$ 3,160 bilhões (21,7% da receita total) a um preço médio destacado de US$ 427,70 por saca.
Atualmente, o mercado segue em postura conservadora. Em junho de 2026, foram exportadas 3,060 milhões de sacas (+16,9% em volume frente a junho anterior), gerando US$ 972,8 milhões (-6% em receita). Com o atraso e as incertezas climáticas na colheita da nova safra de arábica, os cafeicultores evitam antecipar vendas, aguardando definições de qualidade e volume para o ciclo que se inicia neste mês de julho.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



