Cafés canéforas disparam 86% no ano e impulsionam exportações brasileiras
Expectativa do setor é que o café arábica passe a desenhar o mesmo movimento de alta no segundo semestre

A transição para a nova safra de café no Brasil começou a desenhar uma mudança na dinâmica dos embarques nacionais. O crescimento de 3,6% registrado nas exportações de maio foi impulsionado diretamente pela entrada dos grãos colhidos já neste ano, com destaque para a espécie canéfora (conilon e robusta). A expectativa do setor é que o café arábica passe a desenhar o mesmo movimento de alta a partir do segundo semestre.
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, a espécie canéfora consolidou um crescimento expressivo de 86,5% em comparação com o mesmo período de 2025, somando 1,891 milhão de sacas enviadas ao exterior. O volume já equivale a 12,8% de tudo o que o Brasil exportou no ano civil.
Em contrapartida, o café arábica — que lidera amplamente o mercado com 75,5% de participação (11,126 milhões de sacas) — registrou uma retração de 21,3% no primeiro quinquemestre, reflexo da safra menor colhida anteriormente. O restante dos embarques do ano foi composto pelo segmento de café solúvel (11,6%) e pela indústria de café torrado e moído (0,1%).
Desempenho dos cafés diferenciados
Os cafés diferenciados, que reúnem grãos de qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis ou especiais, também enfrentaram recuo no início de 2026. De janeiro a maio, o Brasil exportou 2,590 milhões de sacas deste segmento, volume 30,1% inferior ao do mesmo período do ano passado.
Apesar da queda no volume, o nicho de alta qualidade demonstrou sua relevância econômica ao registrar um preço médio de US$ 434,01 por saca, faturando US$ 1,124 bilhão. O montante representou 20,2% de toda a receita cambial gerada pela cafeicultura brasileira nos primeiros cinco meses do ano. No ranking de destinos dos cafés diferenciados, a Alemanha aparece na liderança com a compra de 327.883 sacas, seguida de perto pelos Estados Unidos (308.435 sacas) e pela Itália (286.916 sacas).
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



