Embarques de café sobem 3,6% em maio com chegada da nova safra, mas receita recua 16%
EUA seguem como o segundo maior destino do café brasileiro no ano, atrás da Alemanha

As exportações brasileiras de café registraram uma leve reação no mês de maio. De acordo com o relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 3,089 milhões de sacas de 60 kg, volume 3,6% superior ao registrado em maio de 2025. Apesar do avanço nos volumes, a receita cambial do mês passado apresentou uma queda de 16% no mesmo intervalo comparativo, fechando em US$ 1,050 bilhão.
A performance de maio ajudou a consolidar o acumulado do ano-safra 2025/2026. Nos 11 primeiros meses do ciclo atual (julho de 2024 a maio de 2025), o Brasil exportou 35,373 milhões de sacas, gerando US$ 13,612 bilhões. Os números, contudo, ainda revelam recuos de 17,7% em volume e de 0,7% em receita frente ao período anterior. No ano civil de 2026, de janeiro a maio, o declínio volumétrico acumulado é de 12,4%, reflexo de uma safra passada menor.
Logística e comércio externo no radar
Para o segundo semestre, a expectativa do Cecafé é de crescimento contínuo devido à previsão de uma colheita recorde e de excelente qualidade proporcionada pelo clima favorável. Contudo, o presidente da entidade, Márcio Ferreira, pondera que gargalos externos e internos exigem atenção.
- Gargalo portuário: a falta de infraestrutura nos portos brasileiros vem gerando prejuízos milionários e atrasando embarques.
- Tensões geopolíticas: os conflitos no Oriente Médio encareceram os fretes marítimos para os importadores.
- Incerteza nos EUA: mudanças e idas e vindas na política comercial e tarifária do governo norte-americano fazem com que compradores dos Estados Unidos retardem novos negócios.
Mesmo com as incertezas, os EUA seguem como o segundo maior destino do café brasileiro no ano (1,771 milhão de sacas), atrás apenas da Alemanha, que lidera o ranking com 1,911 milhão de sacas adquiridas entre janeiro e maio. O Porto de Santos manteve a liderança logística do setor, escoando 72,8% do total exportado no primeiro quinquemestre.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



