Café falsificado: megaoperação fecha 19 fábricas e apreende 82 toneladas de produto
Investigação aponta que indústrias clandestinas misturavam substâncias ilegais ao grão; 32,8% dos locais vistoriados foram interditados

Uma megaoperação conjunta envolvendo o governo federal e órgãos de defesa do consumidor resultou na apreensão de mais de 82 mil quilos de produtos irregulares e na interdição de 19 estabelecimentos ligados à produção de café no Brasil. A ação, realizada entre os dias 25 e 28 de maio, mirou o combate à adulteração e à comercialização de café falso ou de baixa qualidade.
A força-tarefa foi coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, e Procons de diversas regiões. As fiscalizações ocorreram de forma simultânea nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraná, Espírito Santo e no Distrito Federal.
Ao todo, os agentes realizaram 84 inspeções. Quase um terço das indústrias vistoriadas (32,8%) acabou interditado imediatamente por falta de condições sanitárias ou indícios severos de fraude.
Matéria-prima sob suspeita e varredura nos supermercados
Do total de 82 toneladas de mercadorias apreendidas, a grande maioria — cerca de 76 toneladas — era composta por matéria-prima genérica utilizada ilegalmente na mistura e produção do pó de café. Outros 5.944 quilos de café torrado e moído, já prontos para o consumo, foram retirados de circulação.
Enquanto os fiscais do Mapa focavam o trabalho dentro das indústrias torrefadoras, equipes dos Procons estaduais e municipais fizeram uma varredura nas gôndolas de supermercados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo para confiscar marcas e lotes suspeitos de adulteração.
O Ministério da Agricultura enfatizou que o montante apreendido representa uma minoria de fraudadores e não reflete a qualidade do café produzido legalmente no Brasil. Trata-se de um mercado clandestino que gera riscos à saúde do consumidor e concorrência desleal para o setor.
O papel das denúncias e o apoio da indústria
O sucesso da operação, que exigiu um monitoramento amplo do mercado nacional, teve como ponto de partida a colaboração do próprio setor produtivo. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) forneceu análises técnicas e encaminhou denúncias cruciais aos órgãos federais. Relatos de cidadãos registrados na plataforma oficial Fala.Br também ajudaram a mapear os alvos da fiscalização.
As empresas autuadas responderão a processos administrativos e criminais, e os produtos apreendidos passarão por perícia detalhada para identificar quais substâncias eram misturadas ao grão de café tradicional.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



