Preços ao produtor agropecuário caem 9,5% no primeiro semestre de 2026
Levantamento do Cepea aponta retração em todos os subgrupos, com destaque para as quedas de café e cana-de-açúcar

O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) recuou 9,52% ao longo do primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, nesta segunda-feira (20).
A retração observada para o índice de preços pagos aos produtores agropecuários do Brasil ficou inferior à registrada para o dos valores internacionais dos alimentos (FMI Food & Beverage Index – em R$), que foi de 10,64% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período do ano passado.
Segundo pesquisadores do Cepea, a baixa do IPPA/Cepea no primeiro semestre de 2026 esteve atrelada às retrações observadas para todos os subgrupos do Índice. No entanto, o destaque foi o IPPA-Cana-Café/Cepea, que registrou retração de 22,51%, por causa das quedas intensas nos preços do café (de 27,4%) e também da cana (de 19%).
De acordo com pesquisadores de Café do Cepea, o movimento de baixa no preço do grão ao longo do primeiro semestre refletiu o otimismo com a oferta global para o ciclo 2026/27, impulsionado sobretudo pelas projeções de boa safra no Brasil. Além disso, a partir de maio, o início da colheita de arábica da temporada 2026/27 no País, que deve ser recorde, reforçou a queda nos preços. Segundo a análise, a desvalorização no acumulado do semestre só não foi mais intensa porque os preços do grão ganharam suporte em junho, quando chuvas no Brasil geraram incertezas quanto à qualidade do café.
Outros índices
Para o IPPA-Grãos/Cepea, a queda de 9,49% do Índice foi influenciada pelas desvalorizações registradas para todos os grãos, quando considerados os preços do primeiro semestre de 2026 frente aos do mesmo período do ano passado. As quedas correspondem a 29,2% para o arroz, a 15,34% para o trigo, a 13,93% para o milho, a 9,49% para o algodão e a 4,33% para a soja.
No caso dos grãos, chama a atenção a desvalorização do arroz na comparação entre os semestres. Segundo pesquisadores do Cepea, os valores de negociação do produto registraram um consistente movimento de baixa ao longo de 2025, e os patamares se mantiveram baixos no primeiro semestre de 2026. Os valores do arroz são insuficientes para recompor a rentabilidade da cultura.
O IPPA-Hortifrutícolas/Cepea registrou queda de 4,7%, refletindo as reduções observadas nos preços da laranja (-51,4%) e uva (-15,5%). Em contrapartida, a batata, tomate e a banana registraram respectivas valorizações de 26%, 24,8% e 27,8%. O IPPA-Pecuária/Cepea, por sua vez, caiu 4,34% em termos nominais, refletindo os movimentos do frango (-14,74%), do suíno (-23,07%) e do leite (-14,14%) e dos ovos (-18,30%); já a arroba bovina registrou valorização de 8,92%.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



