'Cupping Cafés do Mundo': evento reúne grãos de 12 países e do campeão mundial de torra
Evento na Atilla Torradores traz grãos inéditos ao país e promove intercâmbio com grandes torrefações europeias

Uma imersão sensorial movimentou o mercado de cafés especiais de Minas Gerais nesta quarta-feira (8). A sede da Atilla Torradores, na capital mineira, sediou o “Cupping Cafés do Mundo”, evento exclusivo que reuniu produtores, mestres de torra e especialistas para degustar e debater 34 cafés de 12 países diferentes. O grande destaque da noite foi a oportunidade de provar, em primeira mão, raridades preparadas pelo atual campeão mundial de torra.
O encontro serviu como uma janela global para o setor nacional. Devido às restrições legislativas que impedem a importação de café verde (cru) no Brasil, os profissionais locais costumam ficar restritos às experiências com o grão nativo. A estratégia do evento foi "contornar" a barreira trazendo cafés já torrados em seus países de origem e por grandes marcas europeias.

Ao todo, foram apresentados 34 cafés diferentes, produzidos em origens consagradas como Etiópia, Quênia, Ruanda, Burundi, Colômbia e Panamá, além do Brasil. Os grãos passaram pelos torradores de mais de nove empresas da Europa, localizadas em países como França, Bélgica, Reino Unido, Sérvia, Portugal, Eslováquia, Alemanha, Holanda, Luxemburgo e República Tcheca.

A assinatura de um campeão mundial
Um dos grandes destaques das duas mesas de testes foi a oportunidade de provar a assinatura de Benjamin Brassart. O belga, atual detentor do título de campeão mundial de torra, teve dois de seus cafés (das origens Ruanda e Burundi) importados diretamente da torrefação onde trabalha, na Bélgica.
"Temos a oportunidade de ter dois cafés que ele torra na torrefação dele para poder experimentar a assinatura dele na torrefação de cafés especiais", destacou Leonardo Azeredo, fundador de uma iniciativa de Co-Roasting® na França, que trouxe quatro torrefações de sua comunidade para o circuito em Minas Gerais. Segundo ele, o painel incluiu desde variedades exóticas até cafés com processos pós-colheita experimentais e diferentes tecnologias de indução de calor.
Padronização para avaliar o terroir
Para garantir que a mão do operador não mascare as características reais de cada fruto, o processo de "cupping" (prova) seguiu um rigoroso padrão técnico.
"A ideia da prova é minimizar ao máximo a pessoa que está preparando aquilo. Todos os cafés têm a mesma proporção e levam o mesmo tempo", explicou Johann Emmerich, mestre de torra da Atilla. "Com isso, a grande distinção passa a ser, puramente, a torra e o terroir daquele café, ou seja, as nuances da região de onde veio aquele grão".

Evolução para o produtor brasileiro
Para os cafeicultores mineiros, o evento funcionou como um laboratório de campo. Sheila Rangel, produtora rural na Fazenda Serrinha, viu a imersão como um investimento no próprio negócio. "Aqui a gente toma muito café de Minas e do Brasil. Ter essa oportunidade de provar diversos cafés de outros países é um aprendizado. E cada aprendizado acrescenta no café que a gente vai oferecer para os nossos clientes", avaliou.
A busca por referências externas é endossada pela organização do evento como o caminho para a valorização do produto interno. Séfora de Paula, Diretora de Marketing da Atilla Torradores, defende que a grande torra começa antes do maquinário:
"Essa prática amplia o repertório sensorial e permite conhecer variedades que ainda não são cultivadas em nosso país, além de diferentes perfis desenvolvidos ao redor do mundo. Conhecer o mundo é uma das melhores formas de valorizar e elevar o potencial dos cafés brasileiros".
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



