E32: nova mistura pode cortar importação de gasolina em 800 milhões de litros ao ano
Aprovação da gasolina E32 pelo CNPE fortalece segurança energética e evita impacto de R$ 32 bilhões por ano com combustível fóssil importado, segundo Unica e NovaBio

A decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) foi recebida pelas principais entidades do setor agroindustrial como um marco para a soberania energética do país. Em notas oficiais, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) destacaram que a medida blinda o bolso do consumidor contra crises internacionais e consolida o Brasil como referência em descarbonização.
A mudança reduz o percentual de gasolina pura na mistura de 73% para 68%, abrindo um mercado adicional estimado entre 900 milhões e 1,05 bilhão de litros de etanol anidro por ano.
De acordo com a Unica, a presença robusta do etanol no mercado interno tem funcionado como um colchão de amortecimento financeiro essencial em meio às recentes escaladas de tensão no Oriente Médio. Cálculos da entidade apontam que, sem o biocombustível nacional, o custo dos combustíveis teria inflacionado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses, o que equivaleria a um impacto anual de quase R$ 32 bilhões com a importação de derivados de petróleo mais caros.
Com a consolidação do E32, a expectativa é que o Brasil reduza a importação em cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano.
"A redução do percentual de gasolina na mistura é desinflacionária, porque ajuda a manter os preços do combustível fóssil sob maior controle. O etanol anidro tem o poder de conter ou suavizar os reajustes nas bombas", reforçou Renato Cunha, presidente-executivo da NovaBio.
Campo tem capacidade de sobra para atender demanda
As entidades afastam qualquer risco de desabastecimento. A NovaBio projeta que a produção nacional deve atingir 43,6 bilhões de litros de etanol por temporada. Desse total, o mercado de anidro deve alcançar 15,7 bilhões de litros na safra 2026/2027 (cerca de 36% do bolo regulamentar). A nova fatia de mercado também abrirá uma importante janela de escoamento para o Nordeste, que se aproxima de uma produção de 2,5 bilhões de litros ao ano.
A Unica acrescenta que apenas na safra atual o crescimento previsto da produção nacional pode chegar a 4 bilhões de litros, impulsionado pela expansão das usinas de cana-de-açúcar e pela forte entrada em operação de novas unidades de etanol de milho.
“Estamos falando de uma solução que reduz emissões, gera emprego e renda no interior e fortalece uma cadeia onde o Brasil é referência mundial. Poucos países reúnem condições de avançar simultaneamente em segurança energética, descarbonização e desenvolvimento econômico”, afirmou Evandro Gussi, presidente da Unica.
Viabilidade técnica comprovada
A transição para o E32 ocorre sob amparo da Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024), que prevê tetos de mistura de até 35%. Do ponto de vista mecânico, a NovaBio e a Unica reforçam que a frota brasileira — amplamente dominada por veículos flex — está habituada a teores elevados de renováveis.
Estudos técnicos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia chancelaram a segurança do E32, indicando que a elevação do teor do biocombustível não acarreta impactos relevantes em consumo, desempenho ou dirigibilidade, mesmo nos veículos e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



