Safra 2025/26: Brasil deve colher recorde de 360,1 milhões de toneladas de grãos
Com colheita finalizada, produção da soja cresce 5,3% e atinge histórica marca de 180,6 milhões de toneladas

A produção nacional de grãos para a safra 2025/26 deve atingir a marca histórica de 360,1 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de 2,2% em relação à temporada anterior, o que se traduz em um acréscimo de 7,8 milhões de toneladas a serem colhidas pelo setor agropecuário brasileiro.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (14) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no seu 10º Levantamento da Safra de Grãos.
Expansão de área sustenta o crescimento
O desempenho recorde reflete diretamente o aumento da área destinada ao cultivo de grãos no país, estimada em 83,5 milhões de hectares (alta de 2,2% frente ao ciclo passado). Por outro lado, a produtividade média nacional deve demonstrar estabilidade, projetada em 4.311 quilos por hectare.
Desempenho por cultura
Soja lidera com colheita finalizada
Com os trabalhos de campo oficialmente encerrados, a oleaginosa consolidou uma produção de 180,6 milhões de toneladas — um avanço expressivo de 5,3% comparado à safra 2024/25. O resultado foi impulsionado pelo incremento de 2,7% na área plantada, pelo pacote tecnológico de ponta aplicado nas lavouras e pelo clima favorável na maior parte das regiões produtoras.
Milho mostra resiliência frente ao clima
A colheita total das três safras de milho está estimada em 141,7 milhões de toneladas (alta de 0,4%).
- 1ª Safra: praticamente concluída, com volume de 29,6 milhões de toneladas.
- 2ª Safra (safrinha): a colheita atinge 38,9% da área, ritmo inferior à média dos últimos cinco anos. Em Mato Grosso, principal produtor, o clima colaborou para o bom desenvolvimento das plantas. Contudo, veranicos registrados entre abril e maio afetaram o potencial produtivo em Goiás, Minas Gerais e Piauí. Ainda assim, a Conab projeta 109,43 milhões de toneladas para este período.
- 3ª Safra: estimada em 2,7 milhões de toneladas, enfrentando atualmente restrições hídricas pontuais em Sergipe e Alagoas.
Algodão: produtividade compensa menor área
Mesmo com uma redução de 3,2% na área cultivada (reduzida para cerca de 2 milhões de hectares), a produção de algodão em pluma deve alcançar 4,06 milhões de toneladas. O recuo de área foi compensado por um ganho de 2,8% na produtividade média, graças às excelentes condições climáticas que favorecem o desenvolvimento das lavouras. Atualmente, 8,1% da área foi colhida e a maior parte das plantas (78,4%) encontra-se em fase de maturação.
Arroz e feijão garantem abastecimento interno
Apesar do encerramento das colheitas registrar volumes menores do que no ciclo passado, o abastecimento doméstico está assegurado.
- Arroz: com colheita finalizada, registrou 11,1 milhões de toneladas (queda de 13,1%), devido à redução da área semeada.
- Feijão: a produção total foi estimada em 3 milhões de toneladas (retração de 1,4% ante a safra anterior).
Trigo sofre forte retração
Principal cultura de inverno do país, o trigo está na reta final de plantio, mas as projeções apontam para uma quebra significativa. A Conab estima uma produção de 6 milhões de toneladas, volume 23,5% menor que o registrado anteriormente. O declínio decorre tanto da redução da área plantada quanto da projeção de menor rendimento médio nas lavouras.
Ajustes no mercado e exportações
Com a consolidação dos novos números de produção, a Conab atualizou o balanço de oferta e demanda das principais commodities:
- Estoque de milho: o estoque de passagem foi projetado em 14,5 milhões de toneladas para 31 de janeiro de 2027.
- Exportação de algodão: a estimativa de exportação da fibra subiu, podendo alcançar 3,38 milhões de toneladas, resultando em um estoque final de 2,67 milhões de toneladas.
- Soja: o estoque final foi ajustado para 8,8 milhões de toneladas, refletindo o reajuste positivo no esmagamento interno e nas exportações (projetadas em 62,57 milhões e 116,3 milhões de toneladas, respectivamente).
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



