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Soja e carnes disparam: agro do Brasil alcança US$ 87 bilhões no 1° semestre

Resultado representa um crescimento de 6,2% em relação ao primeiro semestre do ano anterior

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Agro exporta US$ 9,2 bilhões em abril com alta de 16% puxada por soja e carne
Carne bovina e soja são destaques • Canva/ Banco de imagem

O agronegócio brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com um desempenho sem precedentes no comércio exterior. Entre janeiro e junho, as exportações do setor alcançaram recorde de US$ 87,1 bilhões, o maior valor já registrado para o período na série histórica. O resultado representa um crescimento de 6,2% em relação ao primeiro semestre do ano anterior, impulsionado sobretudo pelo avanço do complexo soja e da carne bovina.

O desempenho do campo garantiu uma fatia de 47,1% de tudo o que o Brasil vendeu ao mercado internacional no semestre. Embora a participação tenha ficado abaixo dos 49,5% registrados no mesmo período do ano passado — devido ao forte crescimento de 16,7% nos demais setores da economia —, o agro consolidou sua posição como o principal motor da balança comercial do país.

Do lado das importações, o setor agropecuário demandou US$ 10,0 bilhões, uma leve retração de 1,1% na comparação anual. Na ala dos insumos produtivos (que são calculados à parte), o Brasil desembolsou US$ 7,1 bilhões em fertilizantes (alta de 9,8%) e US$ 2,0 bilhões em defensivos agrícolas (queda de 12,2%).

Concentração da pauta: cinco setores dominam as vendas

A fatia das exportações do agronegócio ficou ainda mais concentrada nas mãos das principais cadeias produtivas. Apenas cinco segmentos responderam por 82,6% de todo o faturamento do semestre, ante 81,6% no ano anterior:

  • Complexo soja: US$ 34,9 bilhões (40,1% de participação)
  • Carnes: US$ 17,6 bilhões (20,2% de participação)
  • Produtos florestais: US$ 8,2 bilhões (9,4% de participação)
  • Café: US$ 6,6 bilhões (7,5% de participação)
  • Complexo sucroalcooleiro: US$ 4,6 bilhões (5,3% de participação)

O desempenho dos principais produtos

Soja em grãos estabelece novo teto

A oleaginosa foi a principal responsável pelo avanço da receita do agronegócio, gerando US$ 29,1 bilhões (+ 14,9%). O Brasil embarcou um volume recorde de 69,6 mil toneladas (+ 7,1%), beneficiado ainda pela valorização de 7,3% no preço médio internacional da tonelada, que atingiu US$ 419. A China comprou 69,5% desse total (US$ 20,2 bilhões), mas os maiores crescimentos relativos vieram da União Europeia (+ 40,8%), Turquia (+ 64,1%) e Bangladesh (+ 152,7%).

Carne bovina e de frango batem recordes

Retrações e mercados em queda

  • Açúcar de cana em bruto: o faturamento do adoçante recuou 24,5%, fechando em US$ 3,8 bilhões, pressionado pela queda de 21,9% nos preços internacionais e recuo de 3,4% no volume. A queda nas compras chinesas (- 59,9%) e dos Emirados Árabes (- 54,4%) ditou o ritmo negativo.
  • Café verde: gerou US$ 6,0 bilhões, uma queda de 17,2% em receita e de 16,5% em volume. De acordo com analistas, apesar da estimativa de safra maior pela Conab, a retração reflete os estoques internos baixos decorrentes de gargalos climáticos em anos anteriores. As exportações para a União Europeia, EUA e Japão caíram no semestre.
  • Celulose: sofreu retração de 4,0%, totalizando US$ 5,2 bilhões, afetada pelo recuo de 8,6% na quantidade enviada ao exterior, mesmo com o preço médio subindo 5,1%.

Destaques Não Tradicionais e o Fenômeno do Irã

O primeiro semestre foi marcado por um crescimento explosivo em nichos alternativos. O Irã se transformou no grande destaque no setor de farelo de soja, multiplicando suas compras em 571% e alcançando o posto de quarto maior comprador do produto (US$ 454,3 milhões). O cereal milho também avançou 20,6% (US$ 1,7 bilhão), impulsionado pelas compras do Vietnã (+ 244,9%). Nas culturas menores, registraram recordes históricos o arroz (908,8 mil toneladas), a pimenta picante seca (US$ 332,7 milhões), as mangas frescas (US$ 142,9 milhões) e o subproduto de milho DDG (US$ 155,2 milhões).

Raio-X dos Destinos: Ascensão chinesa e recuo nos EUA

A China consolidou ainda mais sua hegemonia como o principal parceiro comercial do campo, movimentando US$ 30,5 bilhões no semestre (+ 10,5%). O mercado chinês absorveu mais de um terço (35,1%) de todas as exportações do agronegócio do Brasil, concentrando suas fichas na soja em grãos e na carne bovina, que juntas somaram 82,1% da pauta destinada ao país asiático.

A União Europeia seguiu na segunda colocação com US$ 12,6 bilhões (14,5% de participação). Embora tenha registrado queda nas compras de café verde e farelo de soja, o bloco europeu compensou o recuo aumentando significativamente as importações de soja em grãos e de carne de frango.

Na ponta oposta, as exportações para os Estados Unidos despencaram 25,1%, caindo para US$ 5,0 bilhões. O tombo do mercado americano foi motivado por reduções severas nas vendas de commodities estratégicas como o café verde, o suco de laranja e o sebo bovino. A forte retração só não causou maior impacto porque os frigoríficos brasileiros conseguiram aumentar os embarques de carne bovina in natura para os EUA em US$ 324,6 milhões.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.