Brasil oficializa Dia Nacional do Vinho em meio a mercado em expansão e recorde de prêmios
Nova lei fixa celebração para o primeiro domingo de junho; a estreia oficial da comemoração no calendário nacional será em 2027

O diário oficial da União publicou, nesta quarta-feira (8), a Lei 15.460/26, que institui oficialmente o Dia Nacional do Vinho. A celebração será realizada anualmente no primeiro domingo de junho.
A legislação é fruto do Projeto de Lei 3801/04, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que teve aprovação conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado. Ao defender a proposta, Pimenta recordou que a história da produção vinícola nacional ganhou força com o desembarque de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, em 1875.
"O Brasil, portanto, é um país jovem na elaboração de vinhos, comparado a outras tradicionais nações produtoras. Contudo, é evidente o interesse cada vez maior dos brasileiros pelo produto", apontou o parlamentar.
Embora o Rio Grande do Sul permaneça como o principal polo e concentre a maior fatia da produção de vinhos e espumantes, a vitivinicultura tem expandido fronteiras com sucesso por diversas regiões do território nacional.
Setor bilionário e premiado no exterior
A oficialização da data comemorativa coincide com um período de forte consolidação econômica e prestígio internacional para o vinho brasileiro.
De acordo com dados de mercado, o setor movimentou R$ 21,1 bilhões, registrando uma alta de quase 10%. O otimismo é sustentado por uma verdadeira transformação no hábito dos consumidores locais: o país registrou um salto expressivo de 41,9% no consumo interno de vinho. O movimento vai na contramão do mercado global, que vem registrando retrações em grandes e tradicionais polos europeus.
O reconhecimento da qualidade técnica do produto brasileiro também se reflete em premiações expressivas e evolução comercial:
- Série histórica de conquistas: em 2024, os rótulos brasileiros alcançaram a marca de 776 premiações em concursos de 11 países, segundo a Associação Brasileira de Enologia (ABE).
- Recorde recente em Londres: a maturidade dos produtores ficou ainda mais evidente no prestigiado Decanter World Wine Awards, onde o Brasil garantiu um recorde histórico de 212 medalhas. O painel de jurados internacionais condecorou não apenas o Sul, mas também vinhos de inverno produzidos por meio da técnica de dupla poda nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste — incluindo o Cerrado Goiano e o Sul de Minas Gerais.
- Vitrine global e exportações: no comércio exterior, o setor já colhe frutos consolidados, a exemplo do recorde de exportações de vinhos e espumantes monitorado pelo projeto Wines of Brazil (com apoio da ApexBrasil), que alcançou US$ 13,6 milhões (cerca de R$ 70 milhões). Mais recentemente, o programa "Vin du Brésil" passou a levar garrafas de alta gama (premium) de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul diretamente para o exigente mercado da França.
Com a nova data no calendário oficial, o país ganha um marco anual para celebrar e impulsionar uma cadeia produtiva que une tradição, tecnologia agrícola de ponta e forte valor agregado para o agronegócio.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



