Belo Horizonte
Itatiaia

Vinícola de Minas ganha dois ouros no Decanter 2026 e lidera recorde na América do Sul

Com 18 medalhas conquistadas em Londres, a Casa Geraldo põe o terroir de Andradas no topo do continente e puxa o desempenho histórico do estado

Por
Vinícola de Minas ganha duas medalhas de ouro no Decanter 2026 e lidera América
Arquivo/ Casa Geraldo

A vitivinicultura de Minas Gerais alcançou um patamar inédito no cenário internacional. No Decanter World Wine Awards (DWWA) 2026, realizado em Londres — considerado o maior e mais prestigiado concurso de vinhos do mundo —, a vinícola Casa Geraldo, localizada em Andradas, no Sul de Minas, conquistou o feito histórico de receber 18 medalhas: 2 de Ouro, 9 de Prata e 7 de Bronze.

O desempenho da vinícola coroou um ano recorde para o Brasil, que conquistou 212 medalhas na competição. Do total nacional, Minas Gerais consagrou-se como o estado brasileiro mais premiado, com 86 medalhas. Além disso, a Casa Geraldo consagrou-se como a maior medalhista de toda a América do Sul nesta edição do concurso.

 

Ouro inédito e dupla consagração

A conquista das duas medalhas de ouro coloca a Casa Geraldo em um grupo exclusivo. Em toda a história da participação brasileira no Decanter, o país havia conquistado apenas nove medalhas de ouro. Com o resultado de 2026, a produtora mineira torna-se a única vinícola do país a alcançar duas premiações máximas simultâneas em um mesmo ano.

Os grandes destaques da avaliação às cegas foram os rótulos Signature Cabernet Franc 2023 e o Colheita de Inverno Reserva Syrah 2024. Ambos atingiram a expressiva marca de 95 pontos, uma das mais altas distinções do concurso internacional.

Terroir da Mantiqueira e vinhos de inverno

O diferencial dos vinhos premiados está na identidade e na consolidação da técnica da dupla poda, que permite a produção dos chamados "vinhos de inverno" na região da Serra da Mantiqueira.

Em entrevista à Itatiaia, o gerente comercial da Casa Geraldo, Fabio Silva — que acompanha a trajetória da empresa há mais de 21 anos —, destacou o amadurecimento do projeto, que buscava o ouro desde 2016.

"Essas medalhas mostram que, com trabalho, dedicação e constância, Minas Gerais pode produzir vinhos entre os melhores do mundo. São vinhos equilibrados, elegantes e com personalidade, que traduzem o potencial da Serra da Mantiqueira. Confirmamos que é possível produzir vinhos de classe mundial fora das regiões tradicionalmente conhecidas", afirmou Silva.

Para o executivo, o volume de 18 medalhas chancela a consistência de todo o portfólio da marca: "Reforça que esse resultado não é obra do acaso, mas fruto de um trabalho consistente ao longo de muitos anos. Mostra que não temos apenas um ou dois vinhos bons, temos uma linha incrível".

Os vinhos foram avaliados por um júri composto por alguns dos maiores especialistas do setor global, reforçando o selo de qualidade internacional para o produto feito em solo mineiro.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.