Brasil abre ano-safra com alta de 9,9% na exportação de café, mas chuvas atrasam safra
Embarques atingiram 3,03 milhões de sacas em julho, mas chuva na colheita do arábica e gargalos nos portos limitaram o avanço

Marcando o início oficial do ano-safra 2026/27, o mês de julho trouxe sinais de recuperação para os embarques brasileiros de café. Segundo o relatório estatístico mensal divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país exportou 3,030 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto no mês de julho, o que representa um avanço de 9,9% em comparação com as 2,757 milhões de sacas embarcadas no mesmo mês do ciclo anterior.
Apesar da reação positiva no volume físico embarcado, o faturamento gerado pelo setor não acompanhou o mesmo ritmo. A receita cambial em julho teve um recuo de 13,2% no comparativo anual, caindo de US$ 1,042 bilhão para US$ 903,9 milhões. A redução nos valores refletiu a desvalorização do preço médio por saca nas negociações internacionais e o ritmo cadenciado das comercializações.
Mesmo com a alta percentual no volume em julho, o desempenho do mês ficou aquém das projeções iniciais do setor exportador, que aguardava um avanço mais robusto para a abertura do novo ciclo cafeeiro.
Chuvas na colheita e gargalos em portos freiam desempenho
De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o volume exportado em julho só não foi maior devido à combinação de fatores climáticos e graves gargalos estruturais na infraestrutura portuária nacional. O excesso de umidade em momentos decisivos e a deficiência dos terminais de embarque criaram entraves para o fluxo regular da safra.
"Aguardávamos uma evolução expressiva nos embarques no mês passado, principalmente com a chegada do café arábica, mas a ocorrência de chuvas em importantes regiões produtoras dessa variedade retardou os trabalhos de colheita, impactando as exportações. Além disso, a infraestrutura defasada nos principais portos de exportação do país segue gerando dificuldade para as cargas conseguirem embarque, gerando milhões de reais em prejuízos aos exportadores com custos extras por causa de armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions", explicou Ferreira.
O presidente da entidade destaca que esses atrasos logísticos geram um efeito cascata no setor, sobrecarregando a armazenagem nos portos e onerando as tradings e cooperativas com despesas não previstas.
Expectativa de aceleração e ritmo cadenciado nos próximos meses
Apesar dos contratempos do início do ano-safra, o Cecafé projeta um cenário mais favorável para o segundo semestre de 2026. A expectativa é que, com o avanço da colheita do café arábica nas principais praças produtoras do país a partir da segunda quinzena de agosto, os volumes embarcados ganhem forte ritmo nos portos brasileiros.
Ferreira ponderou, no entanto, que o fluxo de vendas no mercado interno deve permanecer estratégico. Capitalizados pelos bons preços obtidos nas safras recentes, os cafeicultores brasileiros tendem a cadenciar a oferta, aproveitando os picos de alta no mercado internacional para fechar negócios e retirando-se dos momentos de desvalorização.
"A expectativa é que alcancemos um bom nível exportado nos 12 meses de 2026, mas isso não deve ser visto de imediato, já que, com os produtores capitalizados devido aos bons preços nas safras recentes, o fluxo de café deve se manter cadenciado. Ainda assim, entendo como possível uma recuperação ante 2025", projetou o dirigente.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



