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IA na pecuária: startup mineira recebe mais de R$ 500 mil da Microsoft para o campo

Agtech Pastu amplia o uso de IA, monitoramento via satélite da NASA e rastreabilidade individual do rebanho para conectar médios e grandes pecuaristas aos prêmios dos maiores frigoríficos do país

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Startup mineira recebe mais de R$ 500 mil da Microsoft para aplicar IA na pecuária
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A Pastu, agtech brasileira focada em gestão pecuária, recebeu mais de R$ 500 mil pelo programa Microsoft for Startups. O aporte vai acelerar o uso de Inteligência Artificial e dados na transformação da pecuária de corte, substituindo o tradicional caderno de anotações por uma gestão digital e estratégica do rebanho.

A rodada de investimentos visa garantir a expansão da infraestrutura tecnológica da startup mineira. Os recursos serão direcionados ao desenvolvimento de novos modelos de Inteligência Artificial (IA), ampliação do processamento em nuvem, sensoriamento remoto e análise automatizada de imagens de satélite aplicadas ao manejo de pastagens e à rastreabilidade bovina.

A inovação ganha força em um momento de aceleração da transformação digital no campo. Pressionada por desafios de produtividade, sustentabilidade e eficiência operacional, a pecuária brasileira tem recorrido à chamada "pecuária de precisão" para transformar volumes massivos de dados em tomadas de decisão rápidas e precisas no curral.

Atualmente, a plataforma da Pastu centraliza informações da fazenda em um único ambiente e atende cerca de 420 clientes, com foco em médios e grandes produtores (a partir de 800 cabeças), além de grandes grupos e parceiros do setor como JBJ, Marfrig, JBS e Minerva.

Do Vale do Silício à parceria com a Microsoft

A trajetória da startup acelerou rapidamente desde sua fundação, em dezembro de 2024. Criada pelo mineiro Victor Lima, filho de pecuarista, em parceria com um engenheiro de software com experiência no mercado internacional, a empresa passou de uma equipe de apenas três pessoas para um time de 40 colaboradores em pouco mais de um ano.

Antes do aporte da Microsoft, a Pastu chegou a participar do programa de aceleração da prestigiada Plug and Play, no Vale do Silício. No entanto, os fundadores optaram por declinar de investimentos externos no primeiro momento para focar no entendimento profundo do mercado nacional.

"Nós entendemos que tínhamos que esperar um pouco mais, sondar competidores e estruturar nossa operação no Brasil. Após um ano de maturação e participação no ecossistema da Microsoft, conversamos com o VP deles, que nos conectou com a área de startups e selou o investimento. O aporte inicial é de R$ 500 mil, mas a expectativa é que essa infraestrutura escalada chegue a R$ 2 milhões no próximo ciclo", revelou Victor Lima, CEO da Pastu, à Itatiaia.

Victor Lima, CEO da Pastu • Arquivo
Victor Lima, CEO da Pastu • Arquivo

'O boi virou dado': IA e integração com o mercado exportador

A grande aposta da agtech está na transição exigida pela pecuária moderna, impulsionada por novas exigências regulatórias, como o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Bubalinos (PNIB), que tornará a identificação individual obrigatória nos próximos anos.

Por meio de uma integração estratégica com a SafeTrace, a plataforma conecta o histórico produtivo e individual do animal, desde o nascimento até o abate, aos protocolos sanitários, socioambientais e exigências de frigoríficos, certificadoras e mercados exportadores. Isso permite ao pecuarista reduzir controles paralelos e acessar bonificações financeiras em cotações e mercados nobres, como a Cota Hilton e o protocolo ERAS (Estabelecimentos Rurais Aprovados pelo SISBOV).

Com a ampliação da infraestrutura tecnológica proporcionada pelo aporte, a Pastu também incorporará IA ao processo de rastreabilidade, automatizando análises, identificando inconsistências operacionais e gerando recomendações técnicas em tempo real para produtores e técnicos de campo.

"O agronegócio produz um volume cada vez maior de informações, mas transformar esses dados em decisões rápidas e confiáveis ainda é um desafio para muitas propriedades. Esse investimento fortalece nossa infraestrutura tecnológica para acelerar o desenvolvimento de soluções de Inteligência Artificial e ampliar a capacidade da plataforma de apoiar produtores em uma gestão cada vez mais orientada por dados", afirmou Victor.

"O mercado está mudando rapidamente. Aquele produtor que ainda está no papel ou na planilha precisa entender que hoje o boi não é mais papel: ele é um dado. Nós auxiliamos esse pecuarista a reeducar sua gestão, preparando a fazenda tanto para a sucessão familiar quanto para atender às exigências de exportação", complementou o CEO.

Monitoramento por satélite da NASA e conectividade no campo

Além da gestão de rebanho e do controle financeiro, a plataforma utiliza imagens de satélite para levar a inteligência da agricultura de precisão para a pecuária a pasto. O sistema conta com alertas em tempo real integrados a satélites da NASA para identificar focos de incêndio, alagamentos e áreas degradadas.

Com os novos recursos, os investimentos serão direcionados para aprimorar os algoritmos de IA na interpretação automática de imagens, identificação de plantas invasoras e na indicação exata de piquetes que precisam entrar em período de descanso e recuperação vegetativa.

Produtor consegue ter uma visão melhor de qual pasto manejar os animais em tempo • Arquivo
Produtor consegue ter uma visão melhor de qual pasto manejar os animais em tempo • Arquivo

"Hoje o produtor não precisa mais mandar uma pessoa a cavalo apenas para checar se o pasto está bom. A IA mostra onde e quando colocar o gado, garantindo o melhor aproveitamento do capim, a saúde do solo e o bem-estar animal", pontuou Victor.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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