Valdir Barbosa: Mercado do Clima vai ditar preços dos alimentos; feijão e arroz começam a subir
Fenômeno El Niño vai interferir em toda a produção de alimentos e a intensidade vai depender de cada região do planeta. No Brasil ainda temos um seguro rural que pouco atende a demanda climática

Amigas e amigos do Agro!
O clima virou uma espécie de novo operador do mercado de alimentos. Se falta chuva ou sobra água ou o calor castiga as lavouras, a produção cai e a oferta diminuiu. Resultado, os preços imediatamente sobem!
Hoje, antes de olhar para a Bolsa, o produtor e o consumidor precisam também olhar para o céu.
Os impactos do El Niño já foram ditos aqui por inúmeras vezes citando como exemplo o caso das carnes, principalmente a bovina, que poderão sofrer o reflexo dos preços dos alimentos e pastagem de uma forma mais ampla.
Já falamos também sobre o feijão que vai recuperando preços e passo a passo chegando as prateleiras dos supermercados.
O arroz, que vem desde o ano passado sem reclamação do consumidor sobre alta de preços, inicia uma subida que pode chegar aos níveis da época da pandemia, quando pacote de 5kg alcançou a 38/40 reais. Hoje, compra-se arroz na média de R$ 20, alguns chegando a R$ 27.
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Os reguladores do mercado global do arroz que são a Índia, China, Tailândia tiveram queda na produção e nesse momento começam a diminuir as exportações para a segurança alimentar de seus habitantes, que ultrapassam a 3 bilhões de pessoas. Os Estados Unidos devem ter uma quebra de 30% na sua safra de arroz.
E vamos ao Brasil, que sempre produz o suficiente para o consumo da população, sendo que 70% cultiva-se no Rio Grande do Sul, estado duramente atingido pelo clima nos últimos 4 anos, ora enchentes ora secas de deserto.
Hoje a saca do arroz está chegando aos R$ 80, valor que já compensa os custos de produção, mas a previsão é que ultrapasse a R$ 100, aí pode haver uma disparada de preços para o consumidor por causa dos estoques mundiais ajustados.
Vamos aguardar o comportamento do El Niño nos próximos meses.
Valdir Barbosa
Itatiaia Agro
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.



