Uruguai autoriza Brasil a usar excedente de cota de carne bovina para a China, anuncia Lula
Em encontro na ONU, presidente Lula anunciou autorização de Yamandú Orsi para aproveitamento do excedente uruguaio em 2026; transferência do saldo de salvaguarda, no entanto, ainda precisa do aval oficial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (21), em Nova York, que o Uruguai autorizou o Brasil a utilizar o excedente de sua cota de exportação de carne bovina destinada à China em 2026. A declaração nas redes sociais, ocorreu após reunião bilateral com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, no contexto da semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU.
Até o momento, no entanto, não há confirmação oficial do governo chinês sobre a viabilidade técnica ou diplomática da transferência desse saldo. Órgãos como o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a Administração Geral de Alfândegas (GACC) e a Embaixada chinesa ainda não se pronunciaram sobre o pleito.
Mecanismo de salvaguarda e excedente uruguaio
A iniciativa busca aproveitar o saldo não utilizado pelo país vizinho sob o sistema de salvaguardas estabelecido por Pequim para monitorar as importações da proteína animal. Para 2026, a China fixou uma cota de 324 mil toneladas para o Uruguai: volume superior à demanda histórica de embarques do país. Até julho deste ano, o Uruguai havia cumprido cerca de 28% desse limite.
Embora o gesto diplomático uruguaio beneficie o diálogo regional, o regulamento chinês estabelece limites específicos e individuais por país fornecedor. No arranjo vigente para 2026, o Brasil conta com uma cota de 1,106 milhão de toneladas, seguido pela Argentina (511 mil t), Uruguai (324 mil t), Nova Zelândia (206 mil t), Austrália (205 mil t) e Estados Unidos (164 mil t). Por ter caráter rígido, a salvaguarda exige aprovação formal de Pequim para que frigoríficos brasileiros possam operar sob a cota uruguaia.
Pauta ampla e integração regional
Em publicação no X (antigo Twitter), Lula ressaltou que a conversa abordou temas estratégicos da agenda bilateral e regional, incluindo projetos de infraestrutura, regulação de mercados e integração: "Conversamos sobre a integração latino-americana e caribenha, bem como sobre as ameaças do extremismo político e da desinformação na região e no mundo. Tratamos de temas da agenda bilateral, em especial infraestrutura e comércio agrícola. Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China. Também manifestei interesse em conhecer a experiência uruguaia de regulamentação das apostas online (bets)."
Tive nesta segunda-feira (21) um encontro bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, em Nova York, no contexto da semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU.
Conversamos sobre a integração latino-americana e caribenha, bem como sobre as ameaças do extremismo… pic.twitter.com/rp0492YcI5
— Lula (@LulaOficial) September 21, 2026
O chefe do Executivo brasileiro informou ainda que deve se reunir novamente em breve com Yamandú Orsi para avançar em obras conjuntas, com destaque para a construção da ponte binacional sobre o Rio Jaguarão.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



