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Mulheres da cachaça: confraria reúne produtoras e sommelières para valorizar e melhorar bebida

Grupo criado há quase dez anos busca mostrar que a cachaça também é espaço de protagonismo feminino e valorizar a bebida brasileira

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Confraria Mulheres da Cachaça
Confraria Mulheres da Cachaça • Fabiano Frade/Itatiaia

A cachaça ainda carrega um estigma antigo: o de ser uma bebida associada principalmente aos homens. Para mudar essa percepção e ampliar o espaço das mulheres no setor, um grupo de amigas criou, em 2017, a Confraria Mulheres da Cachaça, que reúne profissionais e apreciadoras da bebida em Minas Gerais e em outras regiões do país.

Uma das fundadoras é Rosana Lopes, que defende a participação feminina no universo da cachaça e a desconstrução da ideia de que mulher não bebe a bebida brasileira. “A mulherada na cachaça é muito importante para desmistificar aquele estigma de que mulher não bebe cachaça, de que cachaça é só para homem. Nós fundamos essa confraria para levar essa visão de que a mulher pode tomar cachaça com elegância, como todo mundo pode. Beber menos, beber melhor”, afirma.

O movimento começou com oito amigas e, ao longo dos anos, passou a reunir mulheres com diferentes experiências e profissões ligadas à cadeia produtiva e à cultura da cachaça.

Da gastronomia à avaliação de cachaças

Entre as integrantes está Kelly Machado, que chegou à confraria por meio da gastronomia. Ela também atua como sommelier de cachaça e participa de avaliações de bebidas produzidas em diferentes regiões do Brasil.

Segundo Kelly, o trabalho das integrantes tem como um dos objetivos valorizar a bebida nacional e contribuir para o reconhecimento da qualidade e da diversidade das cachaças brasileiras.

Livro reúne histórias de mulheres do setor

Outro destaque do movimento é a publicação do primeiro livro dedicado às mulheres da cachaça. Ana Laura Guimarães, criadora de uma plataforma voltada à divulgação da bebida, participou da organização da obra. O livro reúne 28 capítulos escritos por 28 autoras, cada uma contando sua relação e trajetória com a cachaça. “É um marco no setor da cachaça. A gente mostra que cachaça é bebida de mulher e que a mulher está aí fazendo a diferença no mundo”, destaca Ana Laura.

Ciência também ajuda a entender a cachaça

A presença feminina no setor vai muito além da produção e da degustação. A professora e mestre em Biologia Fernanda Raggi trabalha com avaliação sensorial da bebida e utiliza seus conhecimentos de botânica para estudar a influência das madeiras no processo de envelhecimento da cachaça.

Ela auxilia produtores a identificar as características das diferentes madeiras utilizadas no armazenamento da bebida e como elas podem interferir nos aromas e sabores. “Eu estudo os sabores, o tempo de maturação dessas madeiras e o que elas podem trazer para a cachaça quando ela é armazenada e envelhecida”, explica. Para Fernanda, a atuação como botânica permite aproximar ciência e conhecimento técnico da produção da bebida.

A trajetória dessas mulheres mostra que a cachaça brasileira vai muito além do consumo: envolve gastronomia, ciência, produção, avaliação sensorial, cultura e empreendedorismo — e cada vez mais tem a participação e o protagonismo feminino. As mulheres marcaram presença na última semana na 35ª Expocachaça, realizada nos dias 06,07 e 08 em Belo Horizonte.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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