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Monjas de Juiz de Fora superam tragédia da chuva e recomeçam produção de mel premiada

Após perderem todo o apiário em enchente histórica, religiosas do Mosteiro da Santa Cruz contam com a solidariedade de produtores locais para reconstruir a atividade

Por e 
Três monjas com equipamentos de proteção fazem o manejo de colmeias e analisam quadros com abelhas em um apiário na zona rural de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Monjas realizam o manejo das colmeias durante atividade de apicultura em propriedade rural na região de Juiz de Fora (MG). • Divulgação / FAEMG

A cada 15 dias, as monjas Raquel, Catarina e Tereza Paula deixam temporariamente a clausura e o hábito do Mosteiro da Santa Cruz para vestir o macacão de proteção apícola. A cerca de 20 quilômetros do centro de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, as religiosas inspecionam colmeias, alimentam abelhas e monitoram a saúde dos enxames, uma rotina de dedicação técnica e gestão que se transformou em modelo de sucesso na região.

A apicultura na comunidade religiosa teve início ainda na década de 1960. Após interrupções ao longo dos anos, a atividade foi retomada em 2018 e ganhou padrão profissional entre 2023 e 2025, impulsionada pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), oferecido gratuitamente pelo Sistema Faemg Senar em parceria com o Sindicato Rural de Juiz de Fora.

"Foi uma forma que encontramos de ter uma renda extra. Nosso mel é muito procurado", relata a irmã Raquel. O produto, comercializado na loja do mosteiro, no Centro da cidade, é vital para auxiliar no custeio das despesas da casa.

Sucesso, premiação e o baque da enchente

A eficiência do manejo gerou resultados expressivos: com apenas dez colmeias, as religiosas colheram quase 200 quilos de mel e dobraram o faturamento do apiário em dois anos. A excelência no trabalho técnico e contábil rendeu ao trio o prêmio de destaque regional do ATeG na cadeia de apicultura, entregue em Barbacena.

Segundo o zootecnista e técnico do programa, Arthur Sodré, o grande diferencial das religiosas foi o rigor no cumprimento das orientações. "O comprometimento com o trabalho fez a diferença. Desde o início, elas levaram muito a sério não só as recomendações técnicas de manejo, mas também a parte gerencial, de contabilidade e de formação do preço de venda", destaca.

No entanto, o progresso acumulado em anos de esforço foi interrompido em poucas horas. Na noite de 23 de fevereiro deste ano, durante as chuvas históricas que assolaram Juiz de Fora, o rio que corta a propriedade transbordou e arrastou as 18 colmeias do mosteiro — justamente às vésperas do período de colheita. "Foi muito triste, deu vontade de chorar", relembra a irmã Raquel.

Solidariedade e recomeço

Apesar da perda total, as religiosas não abandonaram o projeto. Sensibilizados pela situação, produtores locais e integrantes da Associação de Apicultores de Juiz de Fora e Região (Apijur) doaram novos enxames para o mosteiro.

Quatro meses após o desastre, um novo apiário foi instalado em uma área mais alta e segura, distante do leito do rio. Atualmente, a propriedade conta com nove colmeias em fase de desenvolvimento.

"O bom das abelhas é a abundância. Elas se multiplicam, e agora as irmãs têm a chance de aumentar as colônias e, consequentemente, a produção", avalia Sodré. A expectativa da comunidade é que, dentro de alguns meses, a colheita seja retomada e a casa de mel volte a operar em capacidade máxima.

*Com informações do Sistema Faemg Senar

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

 

 

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