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Exportação de tilápia bate recorde em junho, mas preço cai no mercado interno

Dólar alto e pressões alfandegárias nos EUA impulsionaram embarques, enquanto fraqueza no consumo doméstico derrubou cotações após dez meses de alta

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Tilápia do Vietnã invade mercado e já soma 10% da produção nacional, alerta Peixe MG
Recuo generalizado chamou a atenção por quebrar uma longa sequência de estabilidade ou alta • Canva/ Reprodução

Em um cenário de dualidade para a piscicultura nacional, as exportações brasileiras de tilápia e produtos secundários registraram em junho o maior volume e faturamento de 2026. O desempenho histórico no mercado externo, contudo, contrastou com o comportamento dos preços no ambiente doméstico: diante de um mercado lento e de demanda enfraquecida, as cotações do peixe recuaram em todas as praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com pesquisadores do Cepea, o recuo generalizado chamou a atenção por quebrar uma longa sequência de estabilidade ou alta. Em algumas das principais regiões produtoras do país, as tabelas de preços não registravam queda desde agosto de 2025.

Corrida para o mercado dos EUA

O recorde nos embarques em junho foi impulsionado por uma combinação de fatores cambiais e comerciais. Com o dólar valorizado frente ao real, o produto brasileiro tornou-se altamente competitivo no exterior.

Além disso, colaboradores do setor indicam que os exportadores correram para antecipar os envios aos Estados Unidos — o principal destino da proteína brasileira —, buscando escapar de novas taxações e barreiras comerciais previstas pelo governo norte-americano. Essa urgência em escoar a produção para fora coincidiu estrategicamente com o período de forte retração no consumo interno.

Demanda interna travada e alívio nos custos

Mesmo sem um aumento expressivo na oferta de peixes prontos para a despesca, a fragilidade do consumo no varejo brasileiro foi suficiente para pressionar os preços pagos aos produtores e travar o ritmo das negociações ao longo de todo o mês passado.

Apesar da desvalorização da tilápia na porteira, o balanço de junho trouxe um alívio financeiro para o bolso do piscicultor. Isso porque o poder de compra do produtor foi favorecido pela queda paralela nos custos dos principais insumos da atividade, como o milho e o farelo de soja que compõem a ração, garantindo uma melhora na relação de troca mesmo diante do mercado doméstico desaquecido.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.