Preço da tilápia sobe, mas nova barreira nos EUA ameaça o setor
Levantamento do Cepea mostra cenário misto no mercado interno e um salto nos embarques internacionais

O mercado de tilápia no Brasil operou em ritmo de transição ao longo do mês de maio, com um cenário de contrastes entre o comércio doméstico e as exportações. De acordo com a análise mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta ainda restrita do peixe garantiu a sustentação e a alta dos preços em diversas regiões produtoras do país.
Por outro lado, o movimento não foi uniforme. Em algumas praças, os valores de comercialização recuaram, pressionados por um enfraquecimento na demanda interna — reflexo, principalmente, de uma postura mais cautelosa e de menor procura por parte dos frigoríficos.
A expectativa para as próximas semanas, contudo, é de alívio na ponta da oferta. Os pesquisadores do Cepea ressaltam que, a partir de maio, as condições climáticas e o ciclo de cultivo fazem com que os peixes comecem a ganhar peso mais rapidamente, o que tende a ampliar de forma gradual a disponibilidade do produto no mercado.
Exportações em alta histórica e o fator EUA
No mercado internacional, o setor viveu um momento de forte aceleração. Os embarques brasileiros de tilápia e de seus produtos secundários registraram um aumento expressivo em maio, consolidando o maior volume exportado em 2026. O resultado também representa o patamar mais elevado desde junho de 2025, época em que o comércio com o exterior ainda não sofria os impactos das primeiras tarifas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos.
Essa arrancada nas vendas externas, no entanto, acontece sob a sombra de novos desafios geopolíticos. O governo norte-americano anunciou recentemente uma nova rodada de tarifas sobre o produto brasileiro (12,5%), com previsão de entrada em vigor já para o mês de julho.
"A implementação dessas novas barreiras poderá, novamente, impactar o ritmo do setor e redesenhar as estratégias comerciais das empresas brasileiras", alertaram os pesquisadores do Cepea.
PEIXE BR manifesta preocupação com sobretaxa de 25%
Em nota oficial, a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) informou que acompanha com preocupação a proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
A medida foi anunciada após a conclusão de uma investigação comercial iniciada em julho de 2025 e ainda passará por consulta pública antes de uma decisão final de Washington. Embora os detalhes sobre os setores e produtos efetivamente afetados ainda estejam em discussão, a entidade alerta que a possibilidade de novas barreiras gera insegurança jurídica e pode comprometer a competitividade do pescado nacional em um dos principais mercados consumidores do mundo.
"Qualquer medida que resulte em aumento de custos ou restrições ao comércio internacional deve ser tratada com cautela, especialmente em um momento em que o Brasil vem ampliando sua presença global no agronegócio e na produção de alimentos", destacou a PEIXE BR em nota.
Diante do cenário de incerteza, a associação garantiu que seguirá acompanhando de perto os desdobramentos da proposta do USTR para avaliar os potenciais impactos financeiros e logísticos sobre a piscicultura e o agronegócio nacional.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde


