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Soja e carne bovina impulsionam agro a recorde de US$ 16,6 bilhões em junho

Setor registra crescimento de 14% em relação ao ano anterior; vendas ao mercado externo representaram quase metade de tudo o que o Brasil exportou no mês

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Agro garante metade das exportações do Brasil em maio e acumula US$ 70,5 bilhões no ano
Canva/ Reprodução

As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 16,6 bilhões em junho de 2026. O montante representa o maior valor já registrado para os meses de junho em toda a série histórica. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o setor apresentou um crescimento de 14% — o que equivale a um incremento absoluto de US$ 2,0 bilhões.

O desempenho do campo foi o grande motor do comércio exterior nacional, respondendo por 45,7% do valor total exportado pelo Brasil ao mundo no sexto mês do ano, que somou US$ 36,3 bilhões. A performance recorde combinou fatores de preço e volume: o preço médio dos produtos exportados subiu 6,4%, enquanto o volume total comercializado expandiu 7,2% em relação a junho de 2025.

As importações do setor também registraram avanço, totalizando US$ 1,7 bilhão (alta de 11,6%). Fora os alimentos, as compras de insumos para a produção mostraram comportamentos mistos: os fertilizantes somaram US$ 1,5 bilhão (+0,6% em valor, mas com queda de 20,2% em volume), e os defensivos agrícolas demandaram US$ 496,8 milhões (recuo de 11,6% em valor e de 14,8% em volume).

Pilares do recorde: soja e carnes em alta

Os dez principais produtos da pauta responderam por 81,6% das vendas externas do agronegócio. O grande destaque foi o complexo soja, acompanhado pelo forte apetite global pelas proteínas animais brasileiras.

Complexo Soja lidera faturamento

A soja em grãos manteve-se isolada como o principal produto da pauta exportadora, gerando US$ 6,3 bilhões (+17,3%) com o embarque de um volume recorde de 14,5 milhões de toneladas (+8,0%). O aumento de receita do grão (+US$ 920,9 milhões) respondeu por quase metade do crescimento de todo o agronegócio no mês.

A China foi a principal compradora, com US$ 4,4 bilhões (71,1% de participação). Também registraram fortes altas destinos como União Europeia (US$ 473,9 milhões, +56,2%) e o Irã (US$ 224,0 milhões, +260,7%). O farelo de soja seguiu a tendência positiva e somou US$ 907,2 milhões (+47,1%), com destaque para as compras da Indonésia (US$ 149,1 milhões) e a estreia do mercado de Bangladesh, que não havia comprado o insumo no mesmo mês do ano anterior.

Carnes registram marcas expressivas

  • Carne bovina in natura: o produto alcançou recorde tanto em receita quanto em quantidade enviada para o exterior. Foram US$ 1,8 bilhão faturados (+39,2%) e 279,7 mil toneladas negociadas (+16,0%). A valorização foi impulsionada pela alta de 20% no preço médio da tonelada. A China permaneceu como principal cliente (US$ 1,1 bilhão), enquanto os Estados Unidos registraram salto expressivo de 89,3%, somando US$ 142,6 milhões.
  • Carne de frango in natura: registrou o segundo maior volume da história para o mês, com 420,6 mil toneladas (+44,6%), gerando uma receita de US$ 871,6 milhões (+57,3%). O preço médio atingiu uma das maiores marcas da série (US$ 2.072 por tonelada). O Japão liderou as compras (US$ 127,7 milhões), seguido de perto pela China (US$ 93,5 milhões), que multiplicou suas compras no período.
  • Carne suína in natura: na contramão das outras proteínas, a carne suína recuou 9,8% em faturamento, somando US$ 289,2 milhões. A queda foi reflexo de uma retração de 5,4% nos volumes embarcados e de 4,7% nos preços internacionais. O Japão consolidou-se como principal destino do produto (US$ 58,6 milhões).

Outros destaques da pauta

  • Açúcar de cana em bruto: registrou forte queda de 25,5% no faturamento, somando US$ 951,5 milhões. O resultado foi afetado pela redução de 18,9% no preço médio da tonelada e pelo menor volume embarcado (2,8 milhões de toneladas). A menor demanda da China foi o principal fator de retração.
  • Café verde: garantiu receita recorde para meses de junho com US$ 935,6 milhões (+0,2%). O forte aumento de 25,4% no volume compensou a desvalorização de 20,1% nas cotações médias internacionais. A União Europeia adquiriu 45% do total.
  • Celulose e papel: a celulose faturou US$ 917,7 milhões (+5,1%), sustentada pela alta de 13,8% nos preços, já que o volume caiu 7,7%. O papel obteve sua segunda melhor marca histórica para junho, atingindo US$ 227,1... milhões (+16,3%), tendo a Argentina como principal cliente.
  • Algodão: teve desempenho recorde em valor e volume. Foram US$ 350,6... milhões (+64,1%) e 217 mil toneladas exportadas (+63,4%), com vendas pulverizadas entre Bangladesh, Turquia e Paquistão.

Boom dos nichos raros

O mês de junho de 2026 também foi marcado por recordes de produtos não tradicionais que vêm ganhando espaço no mercado global. O óleo essencial de laranja disparou 234% em valor (US$ 52,3 milhões), o amendoim em grãos cresceu 89,4% (US$ 46,4 milhões) e os subprodutos de milho, como o DDG, avançaram 89,6% em receita (US$ 25,7 milhões).

Análise por destinos: China e UE compensam queda nos EUA

A China permaneceu isolada como o principal parceiro comercial do campo brasileiro, injetando US$ 6,5 bilhões no setor (+11,1%) e respondendo por 39,1% de todo o faturamento internacional do agronegócio. Além da soja, o país asiático concentrou suas compras em carne bovina e celulose.

A União Europeia garantiu o segundo lugar com US$ 2,19 bilhões (+15,2%). O bloco europeu expandiu suas compras de soja em mais de 56% e surpreendeu com o aumento nos embarques de frango brasileiro, que avançaram mais de 548% em termos de crescimento relativo. Outros mercados de forte expansão no mês foram a Turquia (+US$ 261,3 milhões) e Bangladesh (+US$ 202,1... milhões).

Por outro lado, o mercado dos Estados Unidos registrou retração de 13,0%, somando US$ 911,8 milhões em junho. A queda foi puxada pela menor receita com celulose e café verde — este último impactado pela redução de preços mundiais. O cenário negativo em solo americano só não foi maior devido ao desempenho da carne bovina brasileira, que quase dobrou de faturamento no país e saltou para US$ 142,6 milhões.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.