Exportações de algodão crescem quase 58% por dia e junho deve ter volume recorde
Embarques diários chegam a 10,49 mil toneladas e país projeta fechar o mês com 220 mil toneladas exportadas, superando o topo histórico de 2024

O mercado brasileiro de algodão em pluma consolidou uma importante mudança estrutural em sua dinâmica de comércio exterior. Mesmo durante o período de entressafra, o ritmo das exportações segue intenso, impulsionado pela ampla disponibilidade interna do produto e pela necessidade de escoar o excedente produtivo.
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Brasil transformou sua capacidade logística e produtiva nas últimas safras, passando a abastecer o mercado internacional de forma contínua ao longo de todo o ano. Esse cenário rompe com o padrão histórico anterior, no qual os embarques se concentravam quase que exclusivamente no segundo semestre. Como resultado dessa maior regularidade, o país vem alcançando recordes mensais mesmo nos meses tradicionalmente marcados pela menor oferta da pluma.
Junho registra alta histórica nos embarques
Os dados mais recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam o aquecimento do setor. Nos primeiros 14 dias úteis de junho de 2026, os embarques brasileiros de algodão em pluma somaram 146,8 mil toneladas.
Embora o volume represente uma retração de 49,6% em comparação com o mês imediatamente anterior (maio de 2026), o desempenho atual já supera em 10,6% o total exportado em todo o mês de junho de 2025.
Aceleração no ritmo diário: a média diária de embarques atingiu 10,49 mil toneladas, um salto expressivo de 57,9% frente às 6,64 mil toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
Projeções apontam para novo topo histórico
Caso o ritmo atual de embarques seja mantido até o final do mês, as projeções indicam que as exportações brasileiras de algodão podem alcançar a marca de 220 mil toneladas em junho.
Se confirmado, o volume estabelecerá um novo recorde para o mês, superando com folga o recorde anterior de 160,4 mil toneladas registrado em junho de 2024 — que, até então, figurava como o maior volume da série histórica da Secex para o período.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



