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Cidade de MT com pecuária desde o século 18 dispara e chega a 1,1 milhão de cabeças

Impulsionada pela tradição do Pantanal e por investimentos em genética, Cáceres registra salto de 61,9% no rebanho e consolida o quinto maior plantel do país

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Pecuária de MT deve movimentar R$ 42,1 bilhões em 2026 e bater recorde de abates
Cáceres é dono do quinto maior rebanho bovino do Brasil • Acervo IBGE

Um dos berços históricos da pecuária brasileira, o município de Cáceres consolidou-se como um dos gigantes da bovinocultura de corte do país. Nas últimas duas décadas, a cidade registrou uma impressionante expansão de 61,9% em seu rebanho bovino. De acordo com dados do anuário Beef Report, publicado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o efetivo de animais saltou de 699.059 cabeças, em 2005, para 1.131.933 registradas em 2025.

Dono do quinto maior rebanho bovino do Brasil, Cáceres tem sua história intimamente ligada à atividade, iniciada ainda no século XVIII durante a ocupação da fronteira Oeste da Capitania de Mato Grosso. A vocação consolidou-se pelas condições naturais privilegiadas da região, marcada pelos campos naturais do Pantanal, abundância de água e relevo plano, características ideais para a criação extensiva.

Avanço tecnológico no estado

O desempenho de Cáceres não é um fato isolado, mas reflete um movimento de interiorização e modernização que remodelou o mapa da pecuária mato-grossense. O levantamento da Abiec revela que, dos dez maiores municípios pecuários do país, três estão localizados em Mato Grosso.

  • Colniza: registrou o maior avanço proporcional do estado em 20 anos, com uma alta impressionante de 123,3% (saltando de 320.039 para 714.951 cabeças).
  • Vila Bela da Santíssima Trindade: teve um crescimento sólido de 31,3%, alcançando um plantel de 979.665 cabeças.

Diferente do passado, contudo, esse crescimento não se apoia apenas na abertura de novas áreas. A expansão da bovinocultura pelas diferentes regiões do estado tem sido impulsionada por investimentos robustos dos produtores em tecnologia de ponta, melhoria das técnicas de manejo, melhoramento genético, nutrição de precisão e rigorosos protocolos de sanidade animal — fatores que multiplicaram a capacidade produtiva e a taxa de desfrute por hectare.

Motor de empregos e exportações

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, a evolução dos números traduz a maturidade e a relevância econômica que a cadeia produtiva alcançou.

"O crescimento do rebanho ao longo das últimas duas décadas demonstra a capacidade de expansão do setor aliada ao aumento da eficiência produtiva. Isso fortalece toda a cadeia da carne, gera empregos e amplia a competitividade da indústria de Mato Grosso nos mercados nacional e internacional", avaliou Andrade.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.