Brasil e Nigéria avançam em parceria para acelerar comércio agrícola e fertilizantes
Em missão oficial, ministro André de Paula celebra abertura de mercado para genética animal e negocia memorando para garantir fornecimento seguro de ureia e fósforo

O ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, André de Paula, liderou nesta segunda-feira (13) uma rodada de negociações em Abuja, capital da Nigéria. A comitiva brasileira participou de uma reunião bilateral com a cúpula do governo nigeriano e, paralelamente, reuniu-se com a liderança da Indorama, um dos maiores conglomerados de fertilizantes do mundo.
O encontro institucional com o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar e com representantes do Ministério do Desenvolvimento Pecuário da Nigéria deu continuidade às metas da Iniciativa para Aceleração do Comércio Agropecuário, lançada em 2025. O foco central foi o acompanhamento de acordos práticos para desburocratizar o fluxo de produtos agrícolas, ampliar a cooperação técnica e blindar as fronteiras por meio de sistemas integrados de defesa sanitária.
Busca por fósforo e parceria de longo prazo
No campo estratégico dos insumos, o ministro André de Paula manifestou o forte interesse do Brasil em ampliar e estabilizar o fornecimento de fertilizantes vindos do país africano. O foco principal da reunião com a Indorama — multinacional que opera na Nigéria um dos maiores complexos de nitrogenados da África, com capacidade para 2,8 milhões de toneladas anuais de ureia — foi abrir canais para o recebimento também de fósforo, nutriente vital para o solo brasileiro.
Para dar previsibilidade ao setor, o Brasil mantém negociações avançadas com o governo nigeriano para a celebração de um memorando de entendimento na área. O objetivo é criar um ambiente institucional seguro que estimule contratos de longo prazo e reduza incertezas comerciais.
“O Brasil acompanha com atenção o desenvolvimento da indústria nigeriana de fertilizantes e quer ser um parceiro cada vez mais importante. Queremos garantir uma relação previsível, segura e capaz de atender às necessidades do agronegócio brasileiro”, afirmou o ministro brasileiro.
Avanço genético e intercâmbio comercial
Durante as discussões ministeriais, André de Paula formalizou o agradecimento às autoridades da Nigéria pelas recentes aberturas de mercado para a exportação de material genético bovino, suíno e avícola produzido no Brasil.
A sinergia tecnológica e comercial já gera reflexos práticos: os representantes da Indorama destacaram que a companhia desenvolve projetos de modernização do agronegócio local utilizando justamente material genético proveniente do Brasil, além de investir em sistemas de rastreabilidade animal e capacitação de produtores rurais inspirados no modelo brasileiro.
Blindagem sanitária e cooperação técnica
Para sustentar o avanço das trocas comerciais, o Grupo Técnico de Agricultura e Pecuária alinhou protocolos rigorosos de fiscalização. Foram debatidos temas centrais como:
- Proteção fitossanitária e saúde animal;
- Genética avícola e biossegurança;
- Medidas zoossanitárias e integração entre os serviços de defesa agropecuária.
A mesa de negociações contou com o suporte técnico e diplomático de membros do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), de ministérios nigerianos, do Serviço Nacional de Quarentena Agrícola da Nigéria (NAQS), além de serviços veterinários oficiais e da Embaixada do Brasil em Abuja. A missão consolida uma agenda de via de mão dupla: o Brasil transfere tecnologia de defesa e genética de ponta enquanto assegura os fertilizantes necessários para manter a produtividade de suas lavouras.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



