Safra 2025/26: EUA perdem liderança e país europeu vira principal destino do café brasileiro
Entraves logísticos e taxas alfandegárias temporárias custaram milhões aos exportadores no ciclo 2025/26

O ano-safra 2025/26 redesenhou o mapa das exportações do café brasileiro. Pressionados por barreiras comerciais nos Estados Unidos e por severos gargalos estruturais nos portos nacionais, os embarques fecharam o período de 12 meses com queda de 15,7% em volume (38,462 milhões de sacas). A principal mudança geopolítica foi a perda da liderança histórica dos EUA como principal comprador do café nacional, posto que o país ocupava desde o ciclo 2009/10.
A Alemanha assumiu a liderança na importação do café brasileiro no ciclo 2025/26, adquirindo 5,188 milhões de sacas (13,5% do total), mesmo registrando queda de 20,6% nas compras em relação à safra anterior.
TOP 5 - Destinos do café brasileiro (Safra 2025/26)
- Alemanha: 5,188 milhões de sacas (-20,6%)
- Estados Unidos: 4,243 milhões de sacas (-43,2%)
- Itália: 3,267 milhões de sacas (-8,1%)
- Bélgica: 2,330 milhões de sacas (-24,7%)
- Japão: 2,300 milhões de sacas (+0,2%)
Impacto do 'tarifaço' dos EUA
A queda drástica nos embarques para os EUA — que recuaram 43,2% no acumulado da safra, fechando em 4,243 milhões de sacas — é explicada diretamente por uma barreira tarifária de 50% imposta por Washington durante quase quatro meses.
Entre 6 de agosto e 21 de novembro (com retroatividade ao dia 13), período de vigência das taxas norte-americanas, as exportações brasileiras para os EUA despencaram 54,9%, caindo de 2,917 milhões para apenas 1,315 milhão de sacas em comparação com o mesmo período de 2024.
O presidente do conselho do Cecafé, Márcio Ferreira, aponta que as incertezas ainda pairam sobre o setor. "Depois da retirada do tarifaço sobre a maioria dos cafés brasileiros — recordando que o solúvel segue taxado —, notou-se a retomada dos negócios, mas o ritmo normal ainda não foi alcançado devido à instabilidade comercial dos EUA. Seguimos aguardando o resultado das investigações da Seção 301 do USTR", analisou.
Caos logístico nos portos brasileiros
Além dos problemas diplomáticos, as barreiras físicas dentro do próprio Brasil limitaram as vendas. Deficiências estruturais nos principais terminais marítimos travaram o escoamento da safra e inflacionaram os custos.
"Com infraestrutura defasada nos principais portos do Brasil, vimos pátios abarrotados e muitos atrasos na saída dos navios ao exterior, o que impossibilitou o embarque de centenas de milhares de sacas e gerou prejuízos milionários aos exportadores com custos extras devido a armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions", revelou Ferreira.
Apesar dos entraves logísticos, a divisão de embarques por portos no ano-safra manteve a liderança do Porto de Santos (SP), responsável por exportar 28,859 milhões de sacas (75% do total). O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 21,4% dos embarques (8,249 milhões de sacas), enquanto o Porto de Paranaguá (PR) movimentou 377.914 sacas (1% de representatividade).
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



