Faemg Senar lança relatório sobre sustentabilidade e inovação no agro de MG
Com mais de 1.100 hectares de áreas recuperadas, marcos regulatórios históricos e o lançamento do Relatório de Sustentabilidade, a instituição detalha ações de impacto real para a sociedade

A sustentabilidade e o desenvolvimento econômico caminham lado a lado no campo mineiro. O Sistema Faemg Senar consolidou, ao longo de 2025, uma atuação institucional orientada à preservação ambiental, conformidade jurídica e inovação no agronegócio.
Com o Instituto Antônio Ernesto de Salvo (INAES), a entidade implementou frentes de trabalho que uniram a conservação de recursos naturais à melhoria da competitividade dos produtores.
A divulgação do balanço dessas iniciativas marca um momento de transparência para a instituição. "É um marco histórico apresentar essa prestação de contas para a sociedade em um formato único, mostrando o impacto real das nossas ações nas famílias rurais. Lançamos esse relatório de forma voluntária porque nossa diretoria entendeu que a melhor forma de nos posicionar hoje é justamente demonstrando, em números, o valor que entregamos”, celebrou Mariana Ramos, gerente de Sustentabilidade do Sistema Faemg Senar.
Para o presidente da instituição, Antônio de Salvo, o documento materializa a visão de futuro que a entidade projeta para o campo.
"Este primeiro Relatório de Sustentabilidade expressa nossa devolutiva do que nos comprometemos a fazer dentro do Race to Zero e nossos compromissos com a prestação de contas à sociedade e com a construção de um agro cada vez mais sustentável, resiliente e preparado para os desafios do futuro."
Força-tarefa na recuperação de biomas e o legado do Programa Nosso Ambiente
Os números de 2025 revelam o impacto direto de campo coordenado pelo INAES:
- 583 hectares de áreas de Reserva Legal (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APPs) foram restaurados.
- 555 hectares de pastagens degradadas foram reabilitados e devolvidos ao ciclo produtivo sustentável.
- 2.900 hectares de cacau sustentável foram cultivados por meio do projeto Agro + Verde, consolidando novas fronteiras comerciais ecologicamente corretas no estado.
Embora o relatório reflita o consolidado de 2025, o planejamento estratégico que originou essas conquistas começou a ser desenhado há dez anos, impulsionado por desafios climáticos. Mariana Ramos detalha essa trajetória:
"A tomada de decisão de priorizar a conservação de solo e água veio da forte crise hídrica de 2015. A partir daí, criamos o programa Nosso Ambiente, que já capacitou mais de 51 mil pessoas em técnicas de produção de água e conservação de solo. Acreditamos que o produtor é, essencialmente, um produtor de água, e queremos incentivar essa mudança de percepção na sociedade."
O pilar central dessa estratégia de longo prazo é o Projeto Sustentabilizar, iniciativa estruturada para alinhar as ações do Sistema aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — com destaque para as metas globais de combate à fome, consumo responsável, ação climática e proteção da vida terrestre.

Adaptação ao clima: O desafio do El Niño
Além das metas de recuperação florestal e conservação hídrica, o agronegócio mineiro enfrenta desafios climáticos imediatos e cíclicos, como as anomalias decorrentes do fenômeno El Niño. Diante deste cenário de incertezas meteorológicas, Mariana Ramos aponta que a preparação técnica é o melhor escudo para a produção:
"A palavra de ordem é adaptação. Não temos como frear o clima, mas podemos deixar o produtor cada vez mais resiliente por meio de assistência técnica e capacitação. Isso o ajuda a tomar decisões rápidas na janela de plantio e a adotar boas práticas para reduzir os impactos severos que estão por vir. O Sistema Faemg Senar está pronto para esse suporte".
Inovação tecnológica e descarbonização
O portfólio de sustentabilidade do Sistema expandiu-se também por meio da Aliança pela Restauração — parceria estratégica com o Governo de Minas para recomposição florestal – e de ferramentas tecnológicas como a Plataforma GISA. Esta plataforma digital de desenvolvimento rural monitora propriedades por meio de 23 indicadores socioeconômicos e ambientais, gerando diagnósticos rápidos para amparar o produtor.
A agenda de descarbonização também avançou significativamente em 2025. O Sistema incentivou a campanha estadual Movidos pelo Agro - Etanol e instalou uma usina fotovoltaica própria para abastecer o Centro de Excelência em Cafeicultura, em Varginha. Esse protagonismo fundamentou a presença do agronegócio mineiro em fóruns internacionais, reforçando o compromisso de neutralidade de carbono assumido pelo estado durante as COPs 29 e 30.
Desburocratização e segurança jurídica
Para além dos projetos de campo, o ano de 2025 representou um marco regulatório importante na segurança jurídica e na desburocratização do licenciamento ambiental para os produtores mineiros.
Graças à articulação política da FAEMG, a aprovação da Deliberação Normativa (DN) COPAM nº 258/2025 reclassificou a bovinocultura extensiva, culturas agrícolas e cultivos agrossilvipastoris como atividades de pequeno potencial poluidor. Com a nova norma, o licenciamento ambiental passou a ser simplificado, tornando-se obrigatório apenas para propriedades com área superior a 1.000 hectares.
A instituição ressalta que a simplificação do processo não isenta os produtores de suas responsabilidades ambientais fundamentais. Obrigações cruciais, como a outorga de água, autorizações de supressão de vegetação nativa e a manutenção regular de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal continuam sendo exigidas com rigor. O Sistema manteve ainda papel ativo na gestão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e na aplicação das regras de regularização no estado.
Alinhado às diretrizes de relato da Global Reporting Initiative (GRI), o pilar "Planeta" do Sistema FAEMG SENAR também se refletiu em melhorias na sua própria estrutura física. A instituição implementou metas severas de ecoeficiência interna, com monitoramento do consumo de água e energia em suas sedes e escritórios regionais, além de adotar critérios de economia circular para a correta destinação de resíduos gerados em suas atividades administrativas e de capacitação
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.




