'Comida não tem partido': Faemg Senar completa 75 anos em defesa do produtor rural
Presidente Antônio de Salvo destaca papel da entidade na representação dos produtores rurais, aposta em tecnologia, melhoria da comunicação e cobra investimentos em infraestrutura

O Sistema Faemg Senar celebra nesta terça-feira (7) seus 75 anos de atuação ao lado dos produtores rurais mineiros. A data coincide com o Dia do Produtor Rural Mineiro e marca uma trajetória de defesa institucional do agronegócio, qualificação profissional e assistência técnica em todas as regiões do estado.
Em entrevista ao Itatiaia Agro, o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, afirmou que a entidade chega ao aniversário consolidada como uma das mais representativas do país, reunindo mais de 400 sindicatos rurais e atuando em pautas que vão desde crédito rural até questões ambientais, comércio internacional e capacitação de mão de obra. "Grande parte dos produtores conhece o sindicato da sua cidade, mas nem sempre sabe a dimensão do trabalho realizado pelo sistema. Estamos presentes para defender quem produz, buscando melhores condições de crédito, segurança jurídica, equilíbrio ambiental e competitividade para o agro", afirmou.
Rede de apoio ao produtor
Segundo Antônio de Salvo, a estrutura sindical oferece muito mais do que representação política. Os sindicatos rurais prestam serviços como emissão de ITR, notas fiscais, orientação técnica e informações de mercado, além de levar aos produtores programas de capacitação e assistência técnica. Atualmente, o Sistema Faemg Senar oferece mais de 320 cursos gratuitos em áreas como operação de máquinas agrícolas, drones, inseminação artificial e agricultura de precisão.
Além disso, mais de 25 mil produtores recebem assistência técnica e gerencial (ATeG), com acompanhamento de até quatro anos em algumas cadeias produtivas. "O produtor encontra no sindicato informação, qualificação e apoio para tomar decisões cada vez mais técnicas e eficientes."
'Comida não tem partido'
Durante a entrevista, o presidente voltou a defender que o agronegócio deve permanecer distante das disputas ideológicas. Para ele, a produção de alimentos precisa ser tratada como uma política de Estado, independentemente de governos ou partidos.
"Cada cidadão pode ter sua posição política, mas comida não tem partido. O produtor rural precisa ser respeitado porque é ele quem garante alimento na mesa da população."
Antônio de Salvo também ressaltou que o Brasil vive uma condição privilegiada por ser um dos maiores produtores mundiais de alimentos, realidade construída ao longo das últimas décadas pelo trabalho dos produtores rurais.
Tecnologia é caminho sem volta
Outro tema central da conversa foi a necessidade de ampliar a adoção de tecnologias no campo. O presidente reconhece que o Brasil possui uma agricultura altamente tecnológica, mas afirma que esse avanço ainda não chegou de forma uniforme aos produtores.
"Não dá mais para trabalhar no achismo. É preciso interpretar análises de solo, usar agricultura de precisão, monitorar lavouras, utilizar drones e ferramentas digitais. Quem não acompanhar essa evolução terá dificuldades para permanecer competitivo." Ele também comentou estudos que apontam uma forte demanda futura por profissionais especializados em tecnologia aplicada ao agro.
Na avaliação de Antônio de Salvo, universidades e instituições de ensino têm papel importante na formação, mas a atualização tecnológica precisa ser permanente. "A tecnologia muda muito rápido. O produtor e os profissionais das ciências agrárias precisam estar em constante atualização."
Comunicação precisa mostrar a realidade do campo
Para Antônio de Salvo, outro desafio do agro brasileiro é melhorar sua comunicação com a sociedade. Segundo ele, o setor ainda comunica pouco tudo aquilo que produz e preserva.
"O agro trabalha muito e fala pouco. Muitas pessoas da cidade não conhecem a realidade do produtor, que enfrenta dificuldades, preserva o meio ambiente e garante o abastecimento do país."
Ele destacou que essa comunicação deve ser feita por profissionais especializados e veículos comprometidos em mostrar a realidade do campo.
Infraestrutura limita crescimento
A precariedade da infraestrutura logística também foi apontada como um dos maiores entraves ao desenvolvimento do agronegócio. Antônio de Salvo defendeu um planejamento de longo prazo para o país, envolvendo rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e energia.
"Nossa logística ficou parada no tempo enquanto o Brasil cresceu. Sem investimentos, o custo aumenta e perdemos competitividade." O presidente também voltou a defender a ampliação das concessões rodoviárias, desde que os contratos garantam estradas de qualidade e tarifas equilibradas.
Perspectivas para os próximos anos
Ao projetar o futuro do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo acredita que os próximos anos serão marcados por uma transformação acelerada no campo.
Segundo ele, a tendência é de aumento da produtividade, maior qualificação da mão de obra, incorporação de novas tecnologias e crescimento da produção agropecuária.
"Vamos continuar produzindo mais, com mais qualidade e mais tecnologia. O mundo continuará precisando de alimentos, e Minas Gerais e o Brasil têm todas as condições para seguir como protagonistas".
Encerrando a entrevista, o presidente reforçou a importância da união entre produtores, sindicatos e entidades representativas para enfrentar os desafios do setor e manter o crescimento do agronegócio mineiro.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



