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Itatiaia

Produtora mineira transforma fazenda da família em referência na produção de queijos

À frente da Fazenda Maria Nunes, Christiane Brandão, de 43 anos, rompeu uma tradição familiar e fez do queijo um símbolo de protagonismo feminino no campo

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O primeiro prêmio veio em 2018, na Semana Mesa SP, quando a produtora ganhou medalha de bronze no III Prêmio Queijo. • Maíra Cabral / Secult-MG.

Há mais de 350 quilômetros de Belo Horizonte, no município de Santo Antônio do Itambé, Christiane Brandão, de 43 anos, reencontrou forças a partir de uma tragédia familiar para começar, do zero, a produção de queijos que, posteriormente, seriam eleitos entre os melhores do mundo.

Ao lado da filha, Jady Brandão, ela administra a Fazenda Maria Nunes, que dá nome ao queijo. Até chegar à França, onde o produto foi condecorado com medalha de ouro no Mondial du Fromage et des Produits Laitiers de Tours (Mundial de Queijos e Produtos Lácteos de Tours, em português), o trajeto foi longo.

• Maíra Cabral / Secult-MG.
• Maíra Cabral / Secult-MG.

Mudança de jogo

À Itatiaia, Christiane conta que cresceu na região, em meio às terras que pertenciam ao pai. Apesar de sempre ter tido interesse pela produção, ela nunca teve a oportunidade de se envolver na administração da propriedade por ser mulher.

A vida levou Christiane a morar em BH, onde se graduou em Sistemas de Informação. Somente dez anos depois, após a morte do pai, ela retornou ao interior de Minas.

Em Santo Antônio do Itambé, assumiu o controle da propriedade e passou a ser responsável por gerenciar o inventário dos bens da família. No processo de divisão com os irmãos, acabou sendo contemplada com o pedaço de terra que viria a abrigar a Fazenda Maria Nunes.

• Maíra Cabral / Secult-MG.
• Maíra Cabral / Secult-MG.

Depois de passar anos longe da propriedade, precisou aprender, praticamente sozinha, a cuidar e administrar uma fazenda. Começou o trabalho com poucas vacas e alguns bezerros herdados após a morte do pai.

O caminho percorrido entre Santo Antônio do Itambé e o Vale do Loire, onde acontece a premiação na França, foi longo e cheio de desafios. Christiane conta que precisou contornar os altos custos para investir na produção dos queijos, a falta de eletricidade e também o machismo em um setor predominantemente dominado por homens.

Atualmente, Christiane conta apenas com a ajuda da filha e da neta, Maitê, de apenas dois anos. Todos os dias, ela acorda, vai até a propriedade, inicia a rotina de cuidados com os animais e dá início à produção. "Sou a quinta geração produtora na família, mas é uma tradição que foi muito conduzida por mãos masculinas. Hoje estamos aqui e é a primeira mulher na tradição da família que faz, que lidera e que irá passar o bastão para outras mulheres", disse.

O primeiro prêmio veio em 2018, durante a Semana Mesa SP, quando a produtora conquistou a medalha de bronze no III Prêmio Queijo Brasil. A partir daí, "foi só para frente". No ano seguinte, em 2019, o queijo Maria Nunes chegou à França, onde conquistou a medalha de prata em um concurso de melhor queijo, disputado por cerca de 900 concorrentes de mais de 20 países.

Queijo Maria Nunes

A especialidade da casa é o Queijo Minas Artesanal maturado. O nome da iguaria, Maria Nunes, homenageia a esposa de um antigo proprietário das terras, antes mesmo de elas pertencerem ao pai da produtora.

• Maíra Cabral / Secult-MG.
• Maíra Cabral / Secult-MG.

Por ser um QMA, ele é produzido apenas com leite cru, pingo, coalho e sal. "Tenho minhas vaquinhas, chego aqui todo dia cedo. Eu, minha filha e minha netinha. Começamos a tirar o leite, fazemos todo o processo de ordenha no curral. Tiramos esse leite e levamos para a queijaria, onde ele é processado com a adição dos ingredientes. Trabalhamos com leite cru, então é o leite que acabamos de ordenhar. Ele é destinado diretamente para a produção, sem ser aquecido ou resfriado", explicou.

A rotina é seguida religiosamente. Além de se preocupar com a produção, Christiane também dedica grande parte do dia ao cuidado e ao bem-estar dos animais, realizando testes regularmente e monitoramento diário para acompanhar a saúde das vacas.

O turismo como negócio

Além de produzir o queijo, Christiane e a família também abriram as portas da Fazenda Maria Nunes para turistas e visitantes.

• Maíra Cabral / Secult-MG.
• Maíra Cabral / Secult-MG.

Quem quiser conhecer o espaço e acompanhar um pouco do processo de produção da iguaria típica da região do Serro pode entrar em contato por meio do perfil @queijomarianunes no Instagram. "Hoje estou aqui comemorando com vocês todo esse empoderamento, que traz muito dessa força do pertencimento para podermos empoderar outras mulheres a também liderarem, tomarem a frente. Eu estou seguindo essa tradição que era do meu pai", disse Christiane Brandão.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.