Livre comércio: Brasil fecha acordo para zerar tarifas com Suíça, Noruega e Islândia
Com a validação do acordo Mercosul-EFTA, fatia da economia brasileira protegida por vantagens internacionais vai saltar de 12% para mais de 31%

O governo brasileiro deu um passo decisivo para ampliar suas fronteiras comerciais na Europa. O país protocolou, no último dia 30 de junho, junto ao governo do Paraguai, o instrumento de ratificação do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) — bloco econômico que reúne Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. O documento será enviado ao governo norueguês, que atua como depositário oficial do tratado.
Com a medida, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores reforçam o compromisso do país com a diversificação de parcerias econômicas e a redução de barreiras alfandegárias para o agronegócio e a indústria nacional.
Juntos, Mercosul e EFTA formam um mercado robusto de mais de 280 milhões de consumidores. Quando o tratado estiver plenamente em vigor, o Brasil terá garantido o livre acesso (tarifa zero) para quase 99% do valor histórico exportado ao bloco europeu.
Cifras bilionárias na mesa de negociações
A relação comercial entre o Brasil e as quatro nações europeias já vinha demonstrando forte tração mesmo antes do novo acordo legal.
Os dados consolidados do comércio exterior revelam o peso dessa parceria:
- Corrente de comércio (2025): movimentou US$ 7,8 bilhões entre compras e vendas.
- Exportações brasileiras (2025): somaram US$ 3,8 bilhões.
- Crescimento: o resultado das vendas brasileiras ao bloco teve uma alta de 22,9% na comparação direta com o ano de 2024.
Quando as novas regras começam a valer?
O acordo possui um mecanismo de "vigência bilateral". Isso significa que as regras de livre comércio começam a valer de forma imediata entre os países de cada bloco que já concluíram seus processos internos de aprovação.
As tarifas diferenciadas entram em vigor a partir do primeiro dia do terceiro mês seguinte à data de depósito do instrumento de ratificação. No caso atual, as novas regras passam a valer entre o Brasil e a Islândia — que é o país da EFTA que já havia ratificado o texto anteriormente.
O movimento faz parte de uma estratégia de longo prazo para integrar a economia brasileira às grandes cadeias globais.
Atualmente, apenas 12% de toda a corrente de comércio do Brasil é beneficiada por preferências ou reduções tarifárias internacionais. Com a futura entrada em vigor conjunta dos acordos do Mercosul com a União Europeia, o bloco EFTA e Singapura, essa fatia de mercado protegida por vantagens comerciais vai saltar de 12% para 31,2%, triplicando o potencial de competitividade dos produtos nacionais no exterior.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



