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Paraná faz história com primeira exportação de caqui para país da América Central

Com salto de 248% nas exportações da fruta, o estado realiza o primeiro embarque comercial com destino à Costa Rica

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Paraná faz história com primeira exportação de caqui para país da América Central
Carregamento pioneiro contou com uma tonelada de caqui da variedade Fuy • Imprensa do Sistema FAEP

A fruticultura paranaense alcançou um marco histórico no comércio internacional no mês de junho. O primeiro embarque comercial de caqui brasileiro com destino à Costa Rica partiu de uma propriedade em Porto Amazonas, na região dos Campos Gerais. A operação sela a entrada oficial da fruta brasileira no mercado costarriquenho e abre um novo leque de oportunidades para os produtores do estado.

O carregamento pioneiro contou com uma tonelada de caqui da variedade Fuyu, originária da Agropecuária Boutin — empresa fundada em 1976 e referência no setor na região Sul. A logística e coordenação da exportação ficaram a cargo da MBR Company, empresa brasileira especializada no comércio exterior de frutas frescas.

“A abertura de mais um mercado comprova a qualidade da fruta do nosso Estado e reforça a importância das ações de defesa sanitária e das iniciativas de promoção comercial”, destacou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Para o dirigente, o pioneirismo paranaense evidencia o elevado padrão tecnológico, fitossanitário e de gestão das propriedades locais. “A rapidez entre a definição dos requisitos sanitários e o início das exportações demonstra que nossos produtores possuem capacidade técnica e logística para atender mercados exigentes”, afirmou.

Raio-X do caqui no Paraná

O avanço do caqui paranaense no exterior reflete o fortalecimento da cadeia produtiva nos últimos anos. Atualmente, o Paraná ocupa o 5º lugar no ranking de produção nacional da fruta. Os números consolidam essa trajetória de crescimento:

  • Produção (2024): 477 hectares cultivados, resultando em 6,5 mil toneladas e R$ 25,6 milhões em Valor Bruto da Produção (VBP).
  • Salto nas exportações (2025): o estado exportou US$ 369 mil em caqui — um impressionante crescimento de 248% em comparação aos US$ 106 mil registrados no ano anterior.

Segundo Anderson Sartorelli, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, o mercado externo funciona como uma válvula de escape estratégica. “Permite ao produtor reduzir a dependência do mercado interno, principalmente no pico da safra, quando a alta oferta pressiona os preços para baixo. Além disso, agrega valor à produção”, explicou.

Teste de sucesso e desafios globais

O diretor comercial e sócio-fundador da MBR Company, Renato Giosa Miralla, revelou que esta primeira operação funcionou como um "embarque teste", que já recebeu feedback positivo do comprador costarriquenho, abrindo portas para novos contratos em 2027.

O desempenho da empresa em 2026 chancela o potencial do produto, destacando-se pelos seguintes indicadores de mercado:

  • Clientes atendidos: 22 clientes
  • Destinos: 10 países
  • Abrangência: 5 continentes

Gargalos do setor

Apesar do cenário otimista, a expansão internacional ainda esbarra em barreiras complexas:

  • Exigências fitossanitárias rígidas;
  • Necessidade de rastreabilidade total da produção;
  • Altos investimentos na manutenção da cadeia de refrigeração;
  • Burocracia do comércio exterior.

Para mitigar esses obstáculos, o Sistema FAEP tem intensificado a capacitação dos produtores através de cursos de gestão, boas práticas agrícolas e segurança alimentar. Atualmente, o programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) atende 13 turmas de fruticultura em diversas regiões do estado, além de monitorar o setor por meio da Comissão Técnica de Hortifruticultura.

“Essas capacitações ajudam os fruticultores a adequarem suas produções às legislações e exigências sanitárias globais. Isso colabora diretamente para concretizar negócios e colocar o Paraná no mapa do exterior”, disse Meneguette.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.