El Niño começou e pode ser um dos mais fortes da história; veja o impacto no Brasil
Com o acoplamento entre oceano e atmosfera consolidado, o país entra em estado de atenção para o período entre novembro e janeiro, quando o fenômeno deve atingir o ápice

Após a confirmação da Administração Atmosférica e Oceanográfica dos EUA (NOAA) e de centros internacionais sobre o início do El Niño, o foco da meteorologia nacional se volta para a evolução do fenômeno. Com 63% de chances de atingir a categoria de "muito forte" entre novembro deste ano e janeiro do ano que vem, o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial terá reflexos diretos na rotina e na produção do Brasil.
O período projetado pela NOAA para a máxima intensidade do El Niño coincide com um momento crítico para a agricultura brasileira. Entre novembro e janeiro, as safras de verão do país estarão em fase final de plantio e, dependendo da cultura e do ciclo, já entrarão em etapas de desenvolvimento, maturação e início de colheita. Como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) alerta, quanto maior a intensidade do fenômeno, maior tende a ser a sua influência no comportamento das temperaturas e das chuvas, elevando os riscos para o campo.

Mapa dos riscos regionais
O monitoramento conjunto de órgãos como o INMET, a MetSul e centros do Japão, Europa e Austrália detalha como o comportamento climático vai se desenhar no país nos próximos meses:
- Sul sob alerta de cheias: historicamente, o fenômeno aumenta as precipitações acima da média na região. O desdobramento esperado inclui o risco de temporais, chuvas intensas, alagamentos e cheias de rios.
- Estiagem no Norte e Nordeste: o oposto ocorrerá na metade superior do país. O El Niño está associado à redução das chuvas, o que pode agravar os períodos de seca, reduzir a umidade do solo e impactar diretamente os recursos hídricos.
- Irregularidade no Sudeste e Centro-Oeste: nestas regiões, os efeitos serão mais imprevisíveis. A tendência é de calor mais frequente, pancadas de chuva mal distribuídas e alterações no comportamento das frentes frias.
Atmosfera já responde ao aquecimento
De acordo com a MetSul Meteorologia, o El Niño já se estabeleceu porque deixou de ser apenas um evento isolado na água. Nas últimas semanas, grandes volumes de água excepcionalmente quente avançaram do Pacífico Oeste para a América do Sul, fazendo o índice da região Niño 1+2 registrar uma anomalia de +2,1°C.
Os meteorologistas confirmam que a atmosfera já responde a essa situação oceânica, o que consolida o fenômeno e valida o alerta dos cientistas para o verão de 2026/2027. O INMET informou que manterá o monitoramento contínuo dos indicadores para atualizar as previsões.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



